A importância de extinguir o desperdício de alimentos no Brasil
Enviada em 30/10/2020
O livro autobiográfico “Quarto de despejo - Diário de uma favelada” da escritora brasileira Carolina de Jesus tem como temática principal a fome no Brasil. A personagem-autora narra as consequências da falta de alimentos para os mais pobres, ao mesmo tempo em que presencia a abundância e o desperdício da classe privilegiada. Sob essa perspectiva, atualmente, no Brasil, vive-se uma cultura de excessos e desperdício de alimentos que causa grandes impactos ambientais pela produção em larga escala e que supera a real necessidade populacional. Além disso há a má distribuição de alimentos que contribui com a fome no país.
Em primeiro lugar, vale destacar que o desperdício de alimentos é uma ação prejudicial para o meio ambiente, uma vez que ocorre um aumento na produção de lixo que gera impactos negativos ao meio, além da já existente problemática do custo ambiental relacionado a produção de insumos. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), um terço da produção de alimentos é perdida no mundo e a emissão de gases poluentes dessa perda é igual a emissão do parque automotivo mundial e somado a isso há a emissão de gases poluentes da criação de animais, em especial, no Brasil. Sob esse viés, nota-se que o aumento na capacidade produtiva gera a banalização do desperdício e a falta de consciência no consumo, já que muitas vezes, a população compra além da capacidade familiar, impulsionados pelo consumismo, cabendo ao alimento apenas o caminho da lata de lixo.
Ainda, tal cenário é um privilégio de classes abastadas uma vez que juntamente ao desperdício, muitos ainda passam fome visto a má distribuição de recursos. Assim, mercados, feiras, postos de abastecimento e outros locais de venda de produtos, diariamente, desperdiçam alimentos que, apenas por possuírem pequenas avarias que não desqualificam a mercadoria para consumo ou que estão próximos ao prazo de validade, são descartados em massa por não terem sido vendidos a tempo. Dessa maneira, observa-se que se houvesse programas que incentivassem a doação desses alimentos para as quase 11 milhões de pessoas com fome, no Brasil, dois problemas seriam mitigados.
Dessa forma, é nítido que o desperdício de alimentos contribui para agravar problemas já existentes e a sua redução pode reduzir problemas sociais. Destarte, cabe ao Governo Federal em parcerias público-privadas criar um programa que envolva as grandes empresas do ramo alimentício do Brasil e a população para realizar doações a organizações como bancos de alimentos, creches e outros locais que necessitam de tais itens com o intuito de reduzir o volume de lixo gerado pela sociedade e contribuir positivamente para o desenvolvimento alimentício da população.