A importância de extinguir o desperdício de alimentos no Brasil

Enviada em 17/11/2020

A teoria malthusiana, do século XX, baseava-se no preceito de que a população cresceria em demasia, superando a capacidade mundial de produzir alimentos. No Brasil, atualmente, essa premissa torna-se irreal, visto a imensa produtividade alcançada pelo avanço tecnológico no campo, graças à Revolução Verde, que aumentou a produção de gêneros alimentícios em níveis impensáveis. Entretanto, devido a uma sociedade individualista e pautada no lucro máximo, a fome persiste, ainda que não se deva à falta de alimentos, mas ao desperdício deles, causando impactos sociais.

Em primeiro plano, o desperdício de alimentos no Brasil chega a 40 mil toneladas por dia, segundo pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Empraba). Anualmente, a quantia acumulada é suficiente para alimentar cerca de 19 milhões de pessoas diariamente. De acordo com o estudo, a maior parte dos alimentos são desperdiçados durante o preparo das refeições devido à cultura da fartura, em que o lema é: “melhor sobrar do que faltar”. Logo, o descarte desses restos de alimentos vai de encontro com uma atitude antiética, tendo em vista grupos sociais que enfrentam o problema da fome e desnutrição.

Ademais, inúmeras são as consequências geradas a partir do desperdício de alimentos. Nesse sentido, vale ressaltar que o estado de fome leva à animalização e à agressividade dos indivíduos, assim como é retratado no filme “O poço”, o qual as pessoas, em um estágio trágico da fome, praticam o canibalismo entre elas. Além disso, a população mais carente fica suscetível a doenças e a desnutrição alimentar, visto que não consegue manter em sua mesa, diariamente, os nutrientes necessários à saúde, fato que contribui para a fragilidade do sistema imunológico destas. Desse modo, a fome torna-se um empecilho para o desenvolvimento social.

Diante do exposto, é preciso contornar a lógica capitalista e individualista da sociedade, responsável pelo desperdício de alimentos. Para tanto, o consumidor, o qual inclui-se a família e a população brasileira como um todo, deve optar por maneiras sustentáveis de consumo por meio da utilização de partes subaproveitadas dos alimentos, como cascas, raízes e sementes, além de praticar atitudes como a do projeto Mesa Brasil, em que voluntários coletam, via sites de compartilhamento, alimentos que, embora descartados, ainda possam ser doados a instituições beneficentes, assim como a produção de farinhas nutritivas para prevenir a desnutrição. Essas práticas têm como objetivo o reaproveitamento de alimentos e sua coleta para distribuição entre grupos desprovidos de uma dieta diária saudável. Só assim, a Teoria Malthusiana perderá forças e o Brasil dará um passo à frente no combate ao desperdício e, consequentemente, à fome, transformando desperdício em fartura.