A importância de extinguir o desperdício de alimentos no Brasil

Enviada em 03/12/2020

Promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) garante a todos os indivíduos o direito à alimentação, educação e ao bem-estar social. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa o aumento significante do desperdício dos alimentos, dificultando, desse modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, é essencial que subterfúgios sejam encontrados a fim de resolver essa inercial problemática.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a educação é o fator principal no desenvolvimento de um país. Todavia, ocupando a nona posição da economia mundial, segundo o Banco Mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema público de ensino eficiente. Entretanto, a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é claramente refletido na insuficiência educacional induzindo a esse desperdício de alimento, haja vista que à falta de conscientização dessa temática nas instituições de ensino. De acordo com Rubens Alves, educador brasileiro, as escolas podem agir como gaiolas ou asas, de modo que podem gerar voos ou formar prisões. É fundamental que essas instituições valorizem o ensino tecnicista em detrimento dos valores empáticos, como colocar-se no lugar de quem não possui uma alimentação básica e a partir disso possa doar alimentos.

Faz-se mister, ainda, salientara o desperdício de comida devido a baixa atuação do setores governamentais como impulsionador desse imbróglio no Brasil. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é a caractéristica da “Modernidade Líquida” vivida no século XXI. Segundo, uma pesquisa realizada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), 40 mil toneladas de comida são jogadas fora por dia. Diante do exposto, é possível perceber que, essa cultura do  “é melhor sobrar do que faltar” decorre da formação do Estado brasileiro fazendo-se presente em grande parte desse processo. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de mitigar esse obstáculo. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, por intermédio de campanhas e palestras de conscientização em escolas de todo o país, com o objetivo de mostrar as consequências desse problema e ensinar técnicas de reaproveitamento desse alimentos não consumidos - como a compostagem. Nesse sentido, o fito de tal ação é informar e minimizar o desperdício de alimento. Somente assim, esse problema será, gradativamente erradicado, pois, conforme Gabriel o Pensador “na mudança do presente a gente molda o futuro”.