A importância de extinguir o desperdício de alimentos no Brasil

Enviada em 12/01/2021

O livro “Morte e Vida Severina”, escrito por João Cabral de Melo Neto, retrata a história de Severino, um sertanejo pobre, que foge da fome ocasionada ecassez de recursos do clima semi-árido. Fora da ficção, o mesmo não acontece, visto que o Estado enfrenta outro desafio: extinguir o desperdício de alimentos, problemática agravada não só pela revolução técnico-informacional do campo, bem como pela ausência de políticas públicas voltadas para reaproveitamento da comida.

Em primeiro lugar, cabe ressaltar os fatores históricos que promoveram o aumento do desperdício de comida. Nesse sentido, a Revolução Verde -modernização do instrumentos e métodos de cultilvo- foi essencial para aumentar a produtividade, entretanto, o aumento excessivo na produção de insumos agrícolas favorece o desperdício. Isso porque, a população economicamente ativa é incapaz de consumir os alimentos ofertados, logo, eles acabam virando resíduos. Diante disso, é imprescindível promover uma logística, mais eficiente, a fim de reduzir a quantidade de comida descartada.

Outrossim, vale salientar a importância do reaproveitamento dos insumos, posto que a população carente poderia se beneficiar mediante o combate do desperdício de comida. Sob tal ótica, um levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária aponta que cerca de 40 milhões de toneladas de alimentos são descartados anualmente no Brasil. Esses dados são preocupantes, pois revelam que o governo recicla os insumos de maneira pouco eficaz. Portanto, é presciso alterar a conjuntura a fim de que auxiliar a população mais carente, já que como diria Caetano Veloso “gente é pra ser feliz, não para morrer de fome”.

Por fim, cabe ao Estado promover ações a fim de evitar o desperdício de alimentos. Para isso, o Ministério da Cidadania deve construir uma rede de restaurantes, que sevirão almoços de baixo custo. Esses estabelecimentos funcionarão, por intermédio de uma parceria público privada, para isso mercados e quitandas irão doar as comidas, que não foram vendidas, porém ainda permanecem em estado de consumo. Assim, concomitantemente, o governo oferecerá incentivos fiscais aos comercios que auxiliarem no projeto. Dessa forma, o desperdício será atenuado e, consequentemente, pessoas como Severino poderão desfrutar dos benefícios do uso equilibrado dos recursos.