A importância de extinguir o desperdício de alimentos no Brasil
Enviada em 31/03/2021
Na produção brasileira da Netflix “3%”, a população que sobra no planeta vive em um mundo pós-apocalíptico, passando fome, sede e condições precárias de vida. No decorrer da série, é informado que apenas 3% da população mundial tem a chance de escapar dessa realidade. Já no mundo real, as coisas são um pouco diferentes. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 11% da população mundial passa fome e, diferente da ficção, não existe nenhum processo seletivo para sair desta situação. Tal fato é decorrente de inúmeras causas, mas principalmente do aumento da taxa de consumismo na sociedade brasileira e da perda alimentar devido a agricultura moderna
Primeiramente, pode-se afirmar que o consumismo que está enraizado na cultura brasileira é proveniente dos modelos europeu e norte-americano de consumo, que, após as Revoluções Industriais, bombardearam o mundo com produções mais rápidas e mecanizadas. A partir de então, padrões de consumo foram difundidos e geraram desigualdades. Consequentemente, o Marketing incentiva, mediante peças publicitárias, o consumo desenfreado ligado a classe social a que pertence e seu respectivo poder aquisitivo. O problema não se restringe ao dispêndio em si, mas também ao desperdício do que se considera lixo, ou seja, após utilizar somente o necessário para a alimentação, o resto é jogado fora, acumulando sobras orgânicas que alimentariam milhões de pessoas e que, no fim, causam impactos negativos para o meio ambiente
O desperdício alimentar brasileiro fundamenta-se em pretextos históricos e estruturais. Com o fim do Pacto Colonial com Portugal, instaurou-se um modelo predatório de agricultura que permeia o tempo atual, intensificado pelas inovações da Revolução Verde. Essa característica revela uma produção agrícola consideravelmente superior a demanda de obtenção, gerando um excedente que recorrentemente é direcionado ao lixo. Em sequência a isso, observa-se que o transporte dos alimentos possui defasagem no que tange condições sanitárias e cuidados com o produto, fazendo com que uma parcela deste chegue aos pontos de venda impróprios ou pouco atrativos ao consumo.
Em suma, o cenário atual é caracterizado pelo consumismo excessivo, que gera desperdício. Para reverter o panorama, é necessário, portanto, que a mídia, ao invés de injetar propagandas favoráveis ao consumo descontrolado, exiba comerciais que incentivem ao consumo eficiente, evitando desperdícios em grandes volumes. Embrapa, FAO e WWF-Brasil empenhem-se mais nas campanhas contra o desperdício, juntamente com ONGs e outras instituições, promovendo o destino adequado das sobras orgânicas, alimentando mais pessoas e reduzindo os problemas ambientais. Outrossim, a sociedade e a escola podem ensinar e propiciar às crianças e aos jovens, por meio de palestras, modelos mais sustentáveis pautados no consumo consciente e no desperdício zero, a fim de que se reduza não somente a fome, como também os impactos ambientais.