A importância de extinguir o desperdício de alimentos no Brasil
Enviada em 03/08/2021
Na obra “Utopia”do escritor inglês Thomas More é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Fora da ficção, no entanto, essa utopia é algo não alcançado pelos homens, posto que a cultura do desperdício de alimentos ainda é um dos fatores que distanciam a realidade atual da idealizada por More. Essa perspectiva se deve, principalmente, ao silenciamento, como também ao individualismo.
Nesse sentido, é preciso considerar o silenciamento, tendo em vista que, de acordo com a Food and Agriculture Organization the United Nations, o Brasil é um dos 10 países que mais desperdiçam alimentos atualmente, sendo 35% da sua produção anualmente. De acordo com Hannah Arendt, em “A banalidade do mal “, o pior mal é aquele visto como algo cotidiano, corriqueiro. Assim, a filósofa defendia que o comportamento passa a ser realizado inconscientemente quando os indivíduos normalizam tal situação, o que pode ser comparado com a questão do desaproveitamento alimentício. Dessa maneira, a situação da falta de divulgação da importância do reaproveitamento pode ser vista como uma problemática envolta em traços críticos, a qual acarreta o esperdício da produção.
Além disso, apresenta-se relevante também pautar sobre o individualismo, já que o descuido em descartar ao invés de doar os alimentos aproveitáveis é um hábito da cozinha brasileira. Esse fator pode ser ilustrado na obra “Girafa em chamas “, do pintor Salvador Dalí, que, embora esteja em chamas, está parada sem qualquer expressão de dor e toda a narrativa traz ênfase para a figura feminina no centro. Fora das telas, os indivíduos que contam com a doação para seu sustento, partilham do mesmo sentimento da girafa, que apesar de dar nome à obra não recebe atenção e precisa agir naturalmente. Diante disso, é admissível concluir que o entrave percebido na escassez da solidariedade em doar parte dos produtos que não serão aproveitados mostra-se preocupante, porquanto corrobora com a cultura do desperdício.
Depreende-se, portanto, que é necessária uma atitude efetiva do Estado para solucionar o impasse. Para tal, o Governo Federal, órgão superior a todas as Secretarias estaduais e municipais do Brasil, deve criar palestras interativas em todo território brasileiro, por meio de profissionais especializados, com o objetivo de conseguir incentivar a população a respeito dos benefícios da doação. Sendo assim, espera-se que o desperdício deixe de ser uma utopia para o Brasil.