A importância de extinguir o desperdício de alimentos no Brasil
Enviada em 05/08/2021
Consoante às afirmações do sociólogo brasileiro Francisco de Oliveira, formado na Universidade de São Paulo (USP), o Brasil é a simbiose entre o moderno e o arcaico, pois, apesar de progressos nas últimas décadas, ainda há obstáculos que impedem seu avanço. Dentre esses óbices, destaca-se a falta de importância dada à extinção do desperdício de alimentos no Brasil. À luz desse enfoque, torna-se fulcral ressaltar que essa perversa realidade tem raízes na inoperância estatal e na letargia social.
Diante desse cenário deletério, cabe salientar, precipuamente, a indiligência governamental no espectro brasileiro. Nesse viés, consoante à concepção do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, algumas instituições, na pós-modernidade, configuram-se como zumbis, pois largaram suas respectivas incumbências sociais. Dentro dessa lógica, é possível observar que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento tornou-se uma corporação zumbi, dado que não apresenta êxito perante às ações e políticas públicas. Isso é perceptível, lamentavelmente, não só pela carência de infraestrutura locomotiva necessária para reduzir o desperdício de alimentos, mas também pelo pouco espaço destinado a debates de como tornar isso possível. Isso posto, infere-se que a ineficácia da máquina administrativa estatal inviabiliza ações concretas que resolvam o tema e catalisa a perda de uma grande parcela de alimentos no Brasil.
Além dessa mácula governamental, também é preocupante, no cerne da contemporaneidade, as origens e consequências da ignorância social quanto ao dispensamento de comida. De certo, mediante aos dogmas do filósofo espanhol Adolfo Vázquez, o aumento da frequência de um determinado evento fomenta, erroneamente, sua naturalização. Com efeito, é indubitável que, infelizmente, há uma verossimilhança entre essa teórica ação indiferente e a realidade, haja vista que os brasileiros desprezaram e normalizaram o desperdício de alimentos em restaurantes e mercados, descartando, alienadamente, aquilo que ainda pode ser consumido. À vista disso, depreende-se a grande importância da atitude do corpo social, porquanto, enquanto a sociedade for inerte, o reaproveitamento de alimentos será banalizado e várias pessoas vulneráveis continuarão a passar fome no país.
Assim, devido às fundações desse revés, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento deve investir em projetos que melhorem as locomotivas no transporte de produtos e comida. Outrossim, urge que esse instituto faça campanhas de conscientização acerca da importância de se extinguir o desperdício de alimentos, por meio de mídias de ampla abrangência, como blogs em redes sociais, a exemplo do Instagram e Facebook, a fim de fazer com que o corpo social deixe sua inércia. Espera-se, com isso, que o arcaico fique no passado e o Brasil rume ao progresso.