A importância de extinguir o desperdício de alimentos no Brasil

Enviada em 09/10/2021

O escritor Thomas Moore, em sua obra Utopia, descreve o corpo social perfeito, caracterizado pela ausência de problemas e conflitos. Entretanto, distante do apresentado pelo autor, no cenário hodierno, vê-se que o desperdício de alimentos contraria os ideais defendidos por Moore e explicitam uma fragilidade grave do país: um problema de escoamento de produtos alimentícios. Nesse sentido, este entrave decorre da dependência do setor rodoviário que acarreta no aumento da fome no Brasil.

Inicialmente, é fulcral pontuar que o desperdício alimentício no país deriva da alta dependência do setor rodoviário,  que ocasiona na má distribuição dos alimentos. Nessa perspectiva, segundo o site Soluções Transportes, metade dos comestíveis são perdidos nos carros ou caminhões de transporte e apenas um décimo do alimento chega na mesa do consumidor. Sendo assim, é notório que o setor rodoviário é ineficaz para tal função e, visando maior aproveitamento total, urge que outros meios como ferroviário e aeroviário sejam acionados como alternativa para extinguir o desperdício de alimentos nacional e mudar a situação dos dados estatísticos.

Ademais, vale salientar que, enquanto houver falta de senso coletivo de entidades para com a importância do alimento, haverá fome. Nesse viés, consoante à escritora brasileira Carolina Maria de Jesus, a tontura provocada pela fome é muito pior que a do álcool e a sensação de ter só ar no estômago é deprimente. Porém, dados da Organização da Agricultura e Comida mostram que mais de 40% dos alimentos são jogados fora por empresas. Desse modo, a doação configura um meio de diminuir a fome de milhões de brasileiros e corrobora para melhorar a vida de pessoas que vivem em situação semelhante ao descrito por Carolina, evitando também o descarte de matéria orgânica em local inapropriado.

Depreende-se, portanto, que medidas sejam tomadas para amenizar esse quadro deletério. Para tanto, faz-se mister que o Estado aprove uma lei que torne imperativa a doação de comestíveis que seriam descartados por empresas para famílias mais carentes, além de mostrar a necessidade da prática de doar e  investir em mais de uma forma de escoamento de alimentos. Isso deve ser feito por meio de campanhas publicitárias nos meios digitais e nas escolas e construção de vias ferroviárias e hidroviárias por todo o território nacional, com o fito de diminuir a fome no país e estimular o crescimento econômico ocasionado pela diminuição de perdas. Só assim será possível erradicar a miséria dissertada por  Carolina Maria de Jesus.