A importância de garantir acessibilidade para todos
Enviada em 09/10/2025
“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. A afirmação, atribuída à filósofa francesa Simone de Beauvoir, pode ser facilmente aplicada à falta de importância dada à garantia de acessibilidade para todos, visto que, mais escandaloso do que a ocorrência dessa problemática, é o fato da população se habituar a tal realidade. Nesse sentido, não só a manipulação midiática, como também a falibilidade educacional contribuem para a manutenção desse cenário.
Sob esse viés, é importante ressaltar que a ineficiência do ensino escolar cristaliza a pouca importância dada a garantia de acessibilidade para a população em geral. Isso ocorre porque as instituições educacionais, ao priorizarem a mera formação técnica dos estudantes para futura aplicação no mercado de trabalho, deixam de fortalecerem a criticidade -habilidade fundamental para a valorização do acesso facilitado para os deficientes e para as pessoas com mobilidade limitada. Tal raciocínio ganha forças no conceito de “Cidadania Operária” do jornalista brasileiro José Murilo Mendes, visto que, segundo ele, a educação que foca apenas na formação de “operários” gera uma sociedade “cega” para os problemas sociais, como a falta de garantia à acessibilidade. Dessa forma, a população que precisa desse bem social é constantemente violentada e marginalizada da sociedade.
Ademais, o controle promovido pela mídia enraiza a falta de acesso facilitado a todas as pessoas. O cenário advém da postura lucrativista das empresas de comunicação que, ao priorizarem o engajamento, invisibilizam a falta de acessibili-
dade do discurso popular devido a vantagem econômica reduzida. A frase “A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa” do escritor britâncio George Orwell traduz essa dinâmica, já que responsabiliza a dinâmica mercadológica que o controle dos conteúdos expostos ao público pelo foco no lucro. Como consequência dessa relação, cadeirantes são constantemente expostos à acidentes devido à irregularidade das calçadas para pedestres.
Portanto, para que a garantia de acessibilidade seja valorizada na prática o Ministério da Educação, órgão responsável pelo ensino no país, deve incluir aulas que gerem senso crítico e empático ao corpo estudantil. Isso deve ser feito por meio da alteração da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).