A importância de garantir acessibilidade para todos
Enviada em 04/09/2020
A indiferença ao diferente
No livro “A escolhida”, de Lois Lowry, é retratada a vida de Kira, portadora de uma deficiência motora que luta pela sobrevivência em uma sociedade que elimina seres considerados desabilitados. Nesse sentido, a trama foca nas dificuldades enfrentadas pela personagem que, altamente discriminada pela comunidade, tenta desconstruir esse sistema que combate a pluralidade humana. Fora da ficção, a realidade apresentada por Lowry é relacionada ao Brasil, já que a falta de acessibilidade está presente no cenário nacional. Sendo assim, faz-se mister compreender o papel do individualismo capitalista moderno para a manutenção dessa segregação e as consequências disso para o corpo social.
Em primeiro plano, tem-se o particularismo contemporâneo como fator excludente. Diante disso, há o conceito de “Modernidade Líquida”, de Zygmunt Bauman, o qual afirma o capitalismo e a fluidez social como bases do mundo hodierno. Logo, uma sociedade egocêntrica desvaloriza os deficientes por considerá-los inaptos ao trabalho lucrativo, o que gera a falta de políticas públicas voltadas à acessibilidade desses cidadãos às oportunidades e serviços oferecidos pela comunidade. Isso ocorre porque, como sugere Leandro Karnal, o governo é fruto da população por ele governada. Dessarte, uma mentalidade coletiva intolerante ao diferente marginaliza coletiva e politicamente essas minorias.
Além disso, essa visão excludente por parte de alguns brasileiros é a responsável pela baixa autoestima dos deficientes. Nesse contexto, menciona-se a teoria do super-homem, de Nietzsche, a qual postula a autoafirmação do indivíduo como essencial para atingir-se a felicidade. Assim, o filósofo exibe que a necessidade de aceitar-se é fundamental para viver-se bem. Dessa forma, em um corpo social segregacionista e despreparado para acolher portadores de deficiência, essa parcela habitacional é impedida de alcançar a convivência plena. Por conseguinte, esse grupo não se torna empoderado e independente, desenvolvendo transtornos relacionados a essa autodepreciação, como a depressão.
Portanto, medidas hão de ser tomadas, a fim de atestar uma política de acessibilidade universal no país. Primeiramente, o Ministério da Educação deve promover palestras educacionais que despertem o senso crítico da população a respeito da importância da inclusão de todos, como é feito pelo projeto “Portas Abertas”. Isso seria possível por meio da parceria com escolas e desmistificaria o tabu em torno das deficiências. Ademais, o Ministério da Cidadania, a partir da cooperação com o Ministério da Infraestrutura, precisa assegurar a aplicação de recursos na instalação de mecanismos de integração social, honrando a “Lei Nacional de Inclusão”. Desse modo, garantir-se-ia uma vida distante daquela do livro “A escolhida”.