A importância de garantir acessibilidade para todos

Enviada em 15/12/2020

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 5°, o direito à igualdade como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a falta de acessibilidade no país, dificultando, desse modo, a universalização desse direito social tão importante. Nessa perspectiva, é necessário que subterfúgios sejam encontrados a fim de resolver essa inercial problemática.

Precipuamente, é fulcral pontuar a educação como fator fundamental no desenvolvimento de um país. Todavia, ocupando a nona posição na economia mundial, segundo o Banco Mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema público de ensino eficiente. Entretanto, a realidade é justamente o oposto e o contraste dessa realidade é claramente refletido na escassez do sistema educacional inclusivo brasileiro. De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), três a cada quatro escolas públicas não possuem investimentos em acessibilidade. Diante do exposto, os centros educacionais omitem-se do papel de formação dos jovens, na medida em que, muitas vezes, não possui estrutura adequada para fornecer o acesso aos vulneráveis na comunidade escolar, sendo tratado com displicência e preconceito.

Faz-se mister, ainda, salientar a falta de empatia do corpo social como impulsionador do problema. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês , a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é a característica da “Modernidade Líquida” vivida no século XXI. Diante de tal contexto, pode-se compreender que a falta de interesse da sociedade em se manifestar contra as precárias condições de acessibilidade no país faz com que essa problemática seja colocada à margem da sociedade, ao invés de ser abordada, gerando, por conseguinte, prejuízo à qualidade de vida de mais de 45 milhões de cidadão com alguma deficiência no Brasil, segundo o IBGE. Assim, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Infere-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Logo, cabe ao Ministério da Educação, promover palestras e reuniões em grupo, com deficientes, professores, pais e alunos, com o objetivo de debaterem sobre as dificuldades e a discriminação que os deficientes convivem. Outrossim, cabe ao Comitê de Ajudas Técnicas elaborar projetos nas cidades brasileiras, tal como, colocar em prática técnicas de tecnologia assistiva. Nesse sentido, o fito de tal ação é minimizar à segregação e garantir o respeito a todos. Somente assim, esse problema será gradualmente erradicado, pois, conforme Gabriel o Pensador, “ na mudança do presente a gente molda o futuro”.