A importância de garantir acessibilidade para todos

Enviada em 21/02/2021

De acordo com o Censo do IBGE 2010, 45 milhões de brasileiros disseram ter algum tipo de deficiência, ou seja, quase 24% da população. Segundo a Organização Mundial da Saúde, existem cerca de 45 milhões de pessoas cegas no mundo. Diante desse contexto, em função do impedimento visual combinado com a falta de acessibilidade, milhares de pessoas são excluídas da vida cultural e, consequentemente, da interação social, do enriquecimento intelectual e das emoções que a arte e a cultura proporcionam. Assim, cabe a elaboração e execução de políticas culturais para atender à demanda desse perfil de público.

As novas tecnologias da comunicação e da informação têm apresentado recursos de acessibilidade, como a possibilidade de elaboração do texto alternativo no Instagram, para garantir que pessoas com deficiência visual saibam qual tipo de imagem está sendo postada na rede. Entretanto, poucas pessoas e instituições conhecem esses recursos e postam imagens, vídeos, entre outros conteúdos, sem a mínima noção de que existem portadores de deficiência que nem sempre conseguem fruir do que estão sendo publicado.

Ademais, muitas produções audiovisuais, como as cinematográficas, seguem inacessíveis para quem é cego e surdo.  Por isso, é importante que muitos produtores tenham formação em acessibilidade audiovisual, para contratar profissionais audiodescritores, de libras e de produção de legendas para surdos e ensurdecidos para suas realizações. Um bom exemplo é o filme premiado Bacurau, produzido em 2019 com recursos de acessibilidade, o que tornou a obra ainda mais qualificada.

Portanto, cabe aos órgãos gestores da cultura do Brasil, como a Secretaria Especial da Cultura do governo federal e as secretarias estaduais e municipais de cultura, a elaboração e a execução de políticas culturais que promovam a produção de recursos de acessibilidade. Também deve capacitar artistas, produtores, educadores, jornalistas e outros profissionais para a inclusão irrestrita em atividades culturais.

Pesquisadores (as), estudantes de políticas e gestão da cultura, exibidores (as) e profissionais de conteúdos audiovisuais compõem o público-alvo da iniciativa. Mulheres, população LGBTQI e pessoas com deficiência atuantes no setor do audiovisual da Bahia são segmentos prioritários da ação, que visa também possibilitar o diálogo entre agentes do mercado audiovisual e produtores de acessibilidade cultural.

É fundamental que artistas, produtores culturais, educadores, jornalistas e profissionais das mais diversas áreas percebam a importância da inclusão irrestrita em atividades culturais e se apropriem de processos básicos de produção de conteúdo acessível.