A importância de garantir acessibilidade para todos
Enviada em 11/08/2021
Consoante a escritora alemã Hannah Arendt, os Direitos Humanos só são plenamente cumpridos quando sua essência é valorizada. Ou seja, para a efetivação de benefícios faz-se necessária a compreensão destes. Entretanto, vê-se que, na sociedade hodierna, a ideia defendida por Arendt é violada, visto que a falha em garantir acessibilidade para todos corrobora para um grave problema social: o preconceito. Dessa forma, a problemática é ocasionada pela noção de “normal” difundida na estrutura social e contribui para a exclusão de grande parcela da população.
Precipuamente, é fulcral pontuar que a falta de êxito na questão da acessibilidade deriva da visão mundana errônea acerca do padrão de normalidade. Nessa perspectiva, o artista italiano Leonardo Da Vinci criou o que considerava ser a “perfeição da forma”: O Homem Vitruviano. Dessa maneira, esta obra representa a simetria do corpo humano e remete algo sem defeitos fazendo com que o pensamento seja moldado a acreditar que existe um modelo a ser seguido. Desse modo, a restrição de juízo reflete a inoperância em cumprir a acessibilidade e é observada, dentre outras formas, no transporte sem elevador para cadeirante e na maioria das escolas que também não tem esse recurso. Sendo assim, tais fatos corroboram para a persistência desse óbice na sociedade e configuram entrave na concepção de Hannah Arendt.
Ademais, vale saliente que haverá exclusão da população enquanto houver omissão da permissividade. Nesse prisma, uma Carta Magna obrigatoriedade de direito de quaisquer deficientes adentrarem ao mercado de trabalho mediante a Lei da obrigatoriedade de contratação de pessoas especiais. No entanto, o contrário é observado sendo feito no cenário atual, dado que é notória a censura disseminada no meio trabalhista sobre deficientes, queda em seu desepenho, o que colabora para demissão por justa causa e encadeia um ciclo em que o preconceito é praticado de forma camuflada. Em suma, é possível observar a justificativa de um erro sendo usual e lícita.
Depreende-se, portanto, que medidas sejam voltando para que a acessibilidade seja efetivada de vez. Para tanto, faz-se mister que o Estado invista na transformação de espaços públicos como praças, escolas e transportes como ônibus, por meio de rampas e elevadores que tornem mais fácil a vida de quem precisa da acessibilidade com o fito de melhorar esses lugares e torná-los aptos a receber qualquer pessoa independente de sua diferença, além de servir como exemplo para a evolução de “mentalidade” sobre a importância do diverso no mundo. Só assim será possível garantir o pleno direito direito difundido por Hannah e construir um novo Homem Vitruviano moldado na valorização do respeito e diversidade.