A importância de garantir acessibilidade para todos

Enviada em 15/08/2021

Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e de problemas. No entanto, a contemporaneidade é o oposto do que o autor prega, uma vez que a pouca importância dada à garantia de acessibilidade representa barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Desse modo, faz-se imperiosa a análise dos fatores favorecedores desse quadro deletério.

Convém ressaltar, a princípio, a ausência de medidas governamentais eficazes, no que tange a garantir acessibilidade para todos os brasileiros. Nesse sentido, muitas pessoas portadoras de deficiência encontram barreiras e obstáculos no meio urbano, como em praças públicas, visto que esses ambientes, frequentemente, não possuem adaptações para esse público. Nesse âmbito, as prefeituras, ao não terem cidadãos com mobilidade reduzida atuantes em suas equipes, não conseguem encontrar e remover tais obstáculos e barreiras, uma vez que são dificilmente identificados por não-deficientes. Essa conjuntura, segundo o filósofo francês Émile Durkheim, configura-se como um fato social patológico, já que a carência da acessibilidade impacta, de modo nocivo, o pleno desenvolvimento da sociedade. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é pertinente ressaltar a falta de empatia e o individualismo das pessoas como impulsionadores desse quadro problemático. Nesse viés, o filme sul-coreano “Parasita” dialoga com a questão da inacessibilidade do Brasil, porque, tanto no filme, quanto na questão da falta de acessibilidade, pessoas com realidades de vida opostas compartilham o mesmo ecossistema, mas ficam confinadas em seus mundos individuais, sem compreender as necessidades do outro. Dessa forma, perpetua-se a falta de acessibilidade no Brasil pela desatenção e pelo individualismo do corpo social quanto à promoção desse direito tão indispensável. Logo, é inadmissível que essa realidade continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de combater os percalços abordados. Para isso, cabe às prefeituras, por meio da inserção de portadores de deficiências físicas em suas equipes, intensificar a identificação e a remoção de obstáculos nas cidades, além de analisar quais mecanismos seriam ideais para a promoção da acessibilidade, a fim de facilitar a mobilidade desse grupo de pessoas, o que deve permitir, a longo prazo, a efetivação do direito de ir e vir no Brasil. Assim, será consolidada uma sociedade mais acessível e empática, em que o Estado cumpre o seu dever de combater a supracitada patologia social, tal como nomeia Émile Durkheim.