A importância de garantir acessibilidade para todos

Enviada em 29/10/2022

A Constituição Cidadã de 1988 garante a todos os brasileiros e brasileiras o direito de ir e vir. Muitos cidadãos, entretanto, enfrentam uma série de obstáculos diariamente na tentativa de usufruir desse direito. Pessoas com diferentes tipos de deficiência não encontram meios para viver sua cidadania plena, e boa parte desse problema deriva de uma cultura excludente que permeia todas as profissões, assim como da falta de empatia — dois pontos comportamentais, que podem ser facilmente revertidos com mudanças graduais e educação inclusiva.

Sobre o primeiro ponto, a cultura excludente, podemos tomar como exemplo a arquitetura, área que trabalha diretamente com a acessibilidade física. Existe uma teoria nos estudos arquitetônicos que é chamada de “desenho universal”, e propõe nada menos do que projetos de arquitetura pensados de forma a atender qualquer público, independente de suas limitações físicas. Um exemplo de desenho universal é a maçaneta em L para portas, que, ao contrário da maçaneta redonda, pode ser facilmente aberta sem as mãos ou dedos. Como fica claro, a teoria já existe e é possível aplicá-la. O que falta, portanto, é a priorização.

A forma como atribuimos as prioridades está diretamente ligada ao segundo ponto: a empatia. Muitas vezes, promover a acessibilidade é financeiramente mais caro do que ignorá-la, e as leis instituidas são facilmente burladas. Assim, a empatia pelo outro se torna a única razão forte para investir em um mundo mais acessível. Essa posição nasce por meio do entendimento de que as pessoas com deficiênca têm os mesmos direitos que todas as outras. Personagens como o professor Xavier, de X-man, a Dorinha e o Luca, da Turma da Mônica, e Isaac em Sex Education são excelentes formas de criar empatia em crianças e adolescentes.

Portanto, a promossão da acessibilidade e a superação dos obstáculos para a garantia de direitos iguais a todos passa necessariamente pela educação, seja ela formal ou informal. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação instituir na Base Nacional Curricular Comum créditos interdisciplinares que promovam conhecimento sobre as pessoas com deficiência e seus direitos, por meio, por exemplo, da exibição de filmes com personagens PCD. Dessa forma, as crianças aprenderão desde cedo que toda vida é válida, e todas as pessoas são iguais.