A importância de garantir acessibilidade para todos

Enviada em 08/05/2023

“Ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação”. Na música “Que país é este?”, da banda Legião Urbana, há a denúncia acerca de diversos problemas sociais, como a exploração do proletariado. Hodiernamente, no Brasil, uma dessas problemáticas citadas pela banda pode ser observada na medida em que a negligência estatal e o individualismo social prejudicam a garantia de acessibilidade de diversos cidadãos brasileiros.

Em primeiro plano, o descaso governamental representa um grande obstáculo à promoção do acesso universal. Sob essa ótica, de acordo com o jornalista Gilberto Dimenstein, em seu livro “O Cidadão de Papel”, o Brasil é marcado pela não aplicação prática dos mecanismos legais, como a Constituição de 1988, e pela cidadania apenas no campo teórico. Assim, evidencia-se que a entrada igulitária de pessoas com deficiência não recebe a devida atenção e isso vai de encontro ao cenário revelado pelo jornalista. Consequentemente, tais indivíduos ficam a margem da sociedade, pois não são capazes de frequentar locais coletivos, como bares e escolas, em razão da falta de acessibilidade.

Ademais, o egocentrismo, em grande parte da sociedade, é outro desafio ao fim do ingresso restrito. Nesse sentido, segundo o filósofo Zygmunt Bauman, em sua tese “Modernidade Líquida”, a contemporaneidade é caracterizada pela volatilidade em relação aos direitos e deveres dos cidadãos. Isso é pertinente, pois diversos indivíduos – preocupados, somente, em satisfazer seus desejos pessoais – ignoram à falta do acesso universal. Assim, esse comportamento dificulta a solução da problemática e promove a exclusão dos indivíduos que necessitam de entradas adaptadas às suas deficiências.

Destarte, cabe ao Ministério das Cidades – órgão federal responsável pelo desenvolvimento urbano – construir rampas, elevadores e estacionamentos em todo o país. Essa ação irá ocorrer por meio da contratação de engenheiros cívis e arquitetos. Tal atitude, portanto, tem a finalidade de garantir maior acessibilidade aos brasileiros e remediar não somente a negligência estatal, mas também o individualismo social, o que distanciará o cenário retratado pela música “Que país é este?” da realidade.