A importância de saber ouvir de forma respeitosa em um Brasil polarizado
Enviada em 17/07/2024
A democracia burguesa, inspirada na Ágora grega, fundamentou o mecanismo decisório no diálogo, que tem o poder de revelar o bem comum. Em contrapartida, no Brasil hodierno, essa importante forma de ouvir foi prejudica pela polarização política. Dito isso, faz-se necessário averiguar as propriedades desse fenômeno que afeta esse relevante elemento democrático: a constituição de tribos inimigas e a forma como as pessoas agem intelectuamente nesse contexto.
Diante desse cenário, estabelece-se que a formação de bolhas adversárias, carac-terística da polarização, enfraquece o exercício da escuta. A respeito disso, enxer-ga-se, pelas lentes antropológicas, que os homens com pensamentos equivalentes unem-se em prol de um ideário comum. Em paralelo, a psíque humana é progama-da a reagir defensivamente quando sente que a ideologia do seu coletivo está ame-açada, conjectura que ocorre, por exemplo, quando grupos opostos se chocam. Nesse raciocício, há a tendência dos polos ideológicos de se repelirem. Consequen-temente, a interlocução é prejudica por esse afastamento.
Ademais, evidencia-se que a maneira de raciocinar viabiliza a surdez social em questão. Em referência a essa alegação, recorre-se à obra de Jürgem Habermas, que diz que a “razão comunicativa”, que revela as congruências através da audição harmonioza, é mais desejável que a “razão instrumental”, a qual subjulga o outro em virtude das suas concepções. No cenário brasileiro, no entanto, a polarização, por não ser compatível com a intersecção de ideias, hegemoniza este mecanismo intelectível sobre aquele que é ideal. A partir dessa predominância, ocorre a evasão dos recursos mentais empregados na apreensão informacional do outro.
Em suma, é indubitável afirmar que escutar é extremamente importante para a democracia. Nessa lógica, é dever das redes sociais, ambiente propenso ao con-fronto dessa tribos políticas, tornar o espaço interativo mais harmonioso, por meio de mecanismos que influenciem positivamente a cognição dos usuários, a fim de amenizar a tendência defensiva de repulsa supracitada. Além disso, cabe às instituições de ensino, encarregadas pela educação dos cidadãos, estimular o hábito de ouvir, por intermédio de discilpinas que visam formar o raciocínio ideial de Harbermas, intuindo retardar a “razão instrumental”. Assim, atenuará a crise.