A importância de valorizar a população indígena

Enviada em 20/09/2019

Thomas Hobbes, filósofo e matemático inglês, explanou, em sua famosa obra “Leviatã”, seus pontos de vista sobre a necessidade de um governo e sociedade fortes. Tomando esse imperativo, como ponto de partida, para fundamentar discussão acerca dos desafios para a manutenção da cultura indígena no Brasil, vê-se que desde a colonização o índio vem sendo negligenciado. Nesse sentido, cabe não só analisar de que forma a apropriação de terras indígenas é um problema, mas inquirir porque a cultura indígena é vista como primitiva em pleno século XXI.

Em abordagem inicial, vê- se que, de fato, desde a colonização do Brasil o índio vem sendo banalizado, de modo que os portugueses se apropriaram de suas terras de maneira crescente até tomar todo o território. Sob essa ótica, tal problemática ao ser negligenciada pelo Estado, contraria a concepção de Locke, na medida em que a apropriação de aldeias indígenas é um problema decorrente até nos dias atuais, de tal forma que há vários casos de grandes empresas que se apropriam de suas terras. Aliás, não se que essa invasão em grande maioria é para extração de madeira ilegal, causando um grande impacto ambiental para o local e desabrigando os moradores da região. Dessa forma, a dificuldade de demarcação do território indígena se torna cada dia mais evidente.

Ademais, é indubitável que a cultura indígena é vista como primitiva, tal que os índios em pleno século XXI é visto como excluso da sociedade em grande maioria com pinturas e sem informações tecnológicas e vivendo obrigatoriamente em tribos. Nesse contexto, consolida-se a percepção do professor e filósofo brasileiro Mário Sérgio Cortella. Conforme o pensador, o homem tende a naturalizar a barbárie, sendo a ética o caminho para deixar de crer que tudo é normal. Á luz dessa ideia, torna-se notório que há uma banalização por meio governo de incluir o índio como cidadão, com o intuito de mudar o padrão de como é vista a cultura indígena, em grande maioria como imutável desde o ano de 1500.

Dessarte, é essencial buscar soluções práticas para reverter esse cenário. A priori, compete ao poder legislativo aprovar o estatuto dos povos indígenas, a partir uma reformulação das leis de terras, com o objetivo do processo demarcatório ser mais eficiente. Outro ponto chave é o ministério da educação e cultura reformular como é vista a cultura indígena nas escolas, por meio de palestras e rodas de diálogos e visitas em aldeias, com vistas a quebra do preconceito de como é visto o índio. Ações desse tipo garantirão os desafios para a manutenção da cultura indígena, de modo a constituirmos um governo e sociedade fortes