A importância de valorizar a população indígena
Enviada em 23/09/2019
A língua indígena carece de “F”, “L” e “R”, o que demonstra sua falta de fé, de lei e de rei. Essa afirmação de Pero Magalhões, escritor português, foi perpetuada durante os longos anos de colonização do Brasil, anos em que os indígenas foram escravizados e sua cultura, apagada. Analogamente, nota-se que a desvalorização da população indígena continua a ser um tópico relevante dentro da sociedade, visto que o desconhecimento de sua importância e de falta de políticas públicas voltadas a isso faz com que a discussão acerca do tema seja imprescindível no contexto atual.
Em primeiro plano, pode-se observar a ausência de debates acerca da condição indígena no país. Segundo o filósofo iluminista Voltare: “preconceito é opinião sem conhecimento”. Nesse sentido, percebe-se que não conhecer as origens de seu país, cria-se pessoas mais intolerantes, que não conseguem lidar com o diferente, o que leva a um distanciamento entre a cultura brasileira conhecida e estudada nas escolas e a cultura indígena resumida as historias sobre a visão europeia dos indígenas que é ensinada nos livros didáticos tradicionais. Nesse contexto, o índio é esquecido e permanecesse sem ser reconhecido pelo seu importante papel na construção da nação.
Ademais, nota-se a passividade do Estado em tentar preservar a cultura indígena. Tal cenário é consequência de uma colonização etnocêntrica que, durante muitos anos, não se preocupou em valorizar os nativos da terra habitada. Essa conjuntura permanece até hoje, visto que as demandas indígenas são deixadas de lado em função de aspectos considerados mais importantes. A exemplo disso, nota-se os conflitos por terra no centro-oeste, em que grandes agricultores se recusam a aceitar divisão territorial das reservas indígenas. Desta forma, faz-se necessário que esse grupo minoritário tenha seus direitos valorizados assim como qualquer cidadão brasileiro.
Em suma, são necessárias novas medidas para atenuar esse problema. Logo, para que a população indígena seja valorizada e respeitada, urge que o Ministério da Educação, em conjunto com a Funai, criem um projeto chamado “Entender para respeitar”. Nesse projeto, deve ser obrigatório a implementação de aulas acerca das diversas culturas indígenas, e sejam promovidas excursões a reservas indígenas com objetivos didáticos e inclusivos. Além disso, é preciso uma maior fiscalização acerca do cumprimento das leis de proteção. Assim, será possível garantir que a visão dos primeiros colonizadores portugueses como Pero Magalhões, não se perpetue mais pela sociedade.