A importância de valorizar a população indígena

Enviada em 15/12/2020

A primeira geração do romantismo foi marcada por um forte sentimento de busca de identidade nacional, e, portanto, houve uma valorização da pátria e dos elementos que a compõem. Nesse contexto, criou-se, no plano literário, a imagem do índio como elemento medieval a fim de representar as raízes histórico-culturais e afastar da literatura portuguesa. Entretanto, nota-se que tal relação restringe-se somente à literatura, visto que ainda existem entraves a serem superados quanto à valorização da população indígena. Nesse âmbito, faz-se necessário analisar dois entraves acerca do óbice social apresentado: complexo de superioridade e preconceito.

Em primeira análise, é imperativo pontuar que a sensação de superioridade dificulta o enaltecimento dos índios. Consoante ao conceito da “Teoria da Eugenia”, proposto por Francis Galton, o controle social é definido por meio da seleção de aspectos considerados melhores. De acordo com essa perspectiva, o progresso surgiria como resultado lógico do melhoramento racial da população brasileira, portanto, haveria seres humanos superiores, a depender de suas características. No contexto brasileiro contemporanêo, a noção eugênica de superioridade pode ser percebida na questão indígena, cuja base é uma forte discriminação, uma vez que grande parte da população considera os nativos como seres  desprezíveis. Dessa forma, é essencial superar esses paradigmas que prejudicam os índios.

Outrossim, é perceptível que o preconceito com os indígenas colabora para essa problemática. Sendo assim, pode-se constatar que tal preconceito foi, e ainda o é, repassado de uma geração a outra, o que mostra a normalização da marginalização indígena. Nesse viés, a filósofa Hannah Arendt, em sua teoria “banalidade do mal”, argumenta que a atitude preconceituosa passa a ser feita inconscientemente quando os indivíduos trivializam tal situação, o que pode ser equiparado com a questão da segregação dos índios. Desse modo, constata-se que o preconceito fere os princípios constitucionais e impede a valorização da cultura.

Depreende-se, portanto, que os caminhos para a valorização da população indígena apresentam impasses que necessitam ser revertidos. Nessa lógica, cabe ao Poder Executivo, desenvolver projetos governamentais que informem a sociedade sobre a relevância de respeito aos nativos, por meio de palestras gerenciados por psicólogos, garantindo o convencimento social. Paralelamente, o Ministério da Educação deve levar o tema às escolas públicas e privadas. Isso deve ocorrer por meio da substituição de parte da carga teórica da Base Nacional Comum Curricular por projetos interdisciplinares que envolvam a cultura indígena, para que se desperte o interesse do aluno pelo tema ao mesmo tempo em que se desenvolve sua consciência cultural e cidadã.