A importância de valorizar a população indígena
Enviada em 03/01/2021
A carta de Pero Vaz de Caminha, redigida durante a colonização do Brasil em 1500, é o primeiro documento que trata do território brasileiro na história, o qual expressa uma visão etnocêntrica e soberana da comunidade civil sobre a indígena. Nesse sentido, no contexto contemporâneo, ao observar a discrepância entre a condição social de índios e civis, vê-se que tal concepção a respeito dos nativos do país perdura na sociedade, evidenciando a importância de valorizar a população indígena. Por isso, graças à ausência da equidade em meio às relações interpessoais e ao preconceito enraizado, tal cenário perturba a integridade estrutural da coletividade.
Em primeiro plano, a intolerância em relação à alteridade no ambiente social é um agravante do problema. Nesse viés, o Apartheid, regime político que perdurou na África do Sul no século XX, foi tido como episódio de exclusão social, no qual os conjuntos minoritários, como os negros, foram hostilizados na sociedade. Sob essa óptica, percebe-se que, a partir do momento em que a população indígena é discriminada em meio às relações interpessoais, a cultura nativa é desvalorizada - como visto no episódio dos habitantes da tribo Kayapó, do município de Tucumã, na região interiorana do Pará, os qual, ao retornar à vila, foram alvo de comportamentos discriminatórios e de difamação por parte dos civis. Logo, graças ao pensamento de soberania em meio ao corpo social, há uma inferiorização de certas comunidades, como os índios, e a coletividade é desestabilizada.
Ademais, é significante observar como o preconceito enraizado amplifica o cenário. Nesse contexto, segundo a máxima do cientista alemão Albert Einstein, é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. Dessa forma, vê-se que, no instante em que há uma visão discriminatória a respeito da população indígena, a qual recebe traços da carta de Pero Vaz de Caminha, do século XVI tais como a soberania da comunidade civil, há uma concepção etnocêntrica da sociedade, o que faz com que o corpo social esteja fadado a ser segmentado, hierarquizado e esfacelado. Assim, graças aos obstáculos trazidos pela problemática da desvalorização indígena, é inaceitável que tal quadro perdure.
Portanto, é visível que a questão da inferiorização da comunidade nativa brasileira é tida como um desafio e carece de soluções. Sendo assim, o Estado deve, por meio de um fortalecimento legislativo, o qual dê proteção e visibilidade à comunidade indígena, assegurar a equidade na relação entre civis e índios para que, assim, haja a erradicação da visão etnocêntrica e soberana na sociedade e, por conseguinte, fazer com que toda e qualquer comunidade receba a devida importância. Em suma, para que haja ordem e progresso, a sociedade não deve ser atrelada a pensamentos e preconceitos obsoletos, desintegrando-os, como redigido na máxima de Albert Einstein.