A importância de valorizar a população indígena
Enviada em 11/01/2021
Sob a perspectiva do filósofo São Tomás de Aquino, todas as pessoas de uma sociedade democrática possuem a mesma importância, além dos mesmos direitos e deveres. Apesar da legitimidade de tal informação, no Brasil, observa-se que a prática deturpa a teoria, uma vez que ainda existem entraves no que tange ao reconhecimento da valorização da população indigena. Nesse âmbito faz-se necessário analisar as origens do óbice apresentado: ineficiência estatal e sensação de superioridade.
Diante desse cenário, é imperativo afirmar que a displicência estatal colabora com essa problemática. De acordo com o filósofo iluminista John Locke, esse fato configura uma quebra do contrato social, uma vez que, ao revogar o seu estado de natureza — momento em que o homem não é obrigado a seguir leis e tem total liberdade —, com o objetivo de ser governado pelo estado, os cidadãos esperam que esse amenize as mazelas sociais e promova a igualdade de direitos, o que não ocorre no Brasil. Logo, o contrato é quebrado diariamente no país, visto que os indígenas não são enaltecidos, o que, além de impedir que todos tenham as mesmas oportunidades, vai de encontro ao contexto discutido por Aquino. Assim, a insuficiência do aparato institucional não só contribui para o descaso com a coletividade, mas transgride um bem assegurado na constituição: valorização da população indígena.
Além disso, vale postular que a sensação de superioridade contribui para a perpetuação desse imbróglio. Isso é elucidado pelo antropólogo Francis Galton — em sua obra “Teoria da Eugenia” —, o qual afirma que o controle social é definido por meio da seleção de aspectos considerados melhores. Dentro dessa perspectiva, o progresso surgiria como resultado do melhoramento racial, o que propõe a ideia de superioridade de alguns seres humanos, baseada em certas características. Nesse contexto, a noção eugênica pode ser observada na questão indígena, cuja base é uma forte discriminação, visto que substancial parcela da população considera os índios como seres inferiores. Logo, é incoerente que, mesmo sendo uma nação pós-moderna, ainda persista a desvalorização dos nativos.
Urge, pois, que medidas sejam tomadas com o intuito de se coibir o problema discorrido. Nessa lógica, cabe ao Governo Federal desenvolver projetos que informem os brasileiros sobre a importância de valorizar os índios, por meio de palestras gerenciadas por historiadores, as quais orientarão as pessoas a enaltecer a população indígena. Paralelamente, o Ministério da Educação deve levar o tema às escolas públicas e às privadas. Isso deve ocorrer por intermédio da substituição de parte da carga teórica da Base Nacional Curricular Comum por propostas que envolvam os nativos, para que se desperte o interesse do aluno pelo tema ao mesmo tempo em que se desenvolve sua consciência cidadã. Assim, tornar-se-á possível construir uma sociedade permeada pelos elementos de Aquino.