A importância de valorizar a população indígena
Enviada em 10/05/2021
“Todo homem toma os limites do seu próprio campo de visão como os limites do mundo”. As palavras do filósofo Arthur Schopenhauer, posto que remontam a dois séculos atrás, se revelam atualíssimas no contexto hodierno, em que a valorização da população indígena tem despertado o interesse no estudo das sociedades modernas, rompendo com uma visão extremamente eurocêntrica das mesmas. Diante dessa perspectiva, vindica-se, pois, uma análise criteriosa sobre a importância do tema, assim como o papel de todo Corpo Social na manutenção dele.
Em primeiro plano, deve-se ressaltar a posição da cultura indígena na construção da identidade nacional. Segundo a ativista manauara Raquel Kubeo, falar dos corpos indígenas é falar sobre a história do Brasil, marcada pela miscigenação. Nesse contexto, a preservação das mais de 300 etnias existentes no país, somando 274 línguas diferentes, significa a conservação da personalidade nacional em toda sua coletividade, reafirmando um passado pré-existente à chegada portuguesa, o qual ainda se mostra muito presente no cotidiano brasileiro através da fala, da alimentação e dos costumes.
Ademais, é possível apontar o cuidado com o meio ambiente como outro fator de destaque dos povos indígenas, os quais possuem vasto conhecimento acerca dos recursos naturais. De acordo com relatórios da Organização das Nações Unidas, o desaparecimento de espécies é mais lento em locais habitados pelos autóctones. Diante do exposto, torna-se clara a importância da manutenção desses territórios, uma vez que seus moradores atuam diretamente na conservação da integridade das terras, evitando a entrada de agentes deterioradores como garimpeiros e madeireiros.
Sob o arcabouço dos fatos apresentados, infere-se, portanto, a primordialidade da valorização da população indígena, cabendo a todos os brasileiros a sua discussão. Para isso, é preciso que o Estado invista em políticas públicas de proteção da sua cultura, por meio da inclusão de matérias sobre esses povos na base comum curricular, assim como a distribuição e fiscalização de terras, promovendo segurança, saúde e educação de qualidade a todos. Espera-se com isso, que haja, efetivamente, o devido reconhecimento da população nativa, ampliando nossos campos de visão e, consequentemente, expandindo nossa noção de representatividade.