A importância de valorizar a população indígena

Enviada em 18/06/2021

As terras indígenas (TIs) são, por definição, espaços de conservação da natureza pertencentes à União e reconhecidas aos índios o direito de posse e usufruto. Esses direitos, portanto, devem continuar sendo garantidos aos indígenas, visto que, diferentemente da relação entre a agropecuária e os ecossistemas, a relação entre o indígena e a floresta é baseada no respeito, na conservação e no uso consciente dos recursos ambientais.

Isso ocorre, pois, a agropecuária utiliza de recursos naturais visando sempre o lucro e o crescimento desenfreado, já que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor agropecuário cresce em ritmo superior ao da economia brasileira. Portanto, para atingir tais objetivos, este setor utiliza de métodos destrutivos (como o desmatamento em massa de florestas para produção de soja e criação bovina), de produtos nocivos à saude das pessoas (herbicidas e fertilizantes químicos) e consomem uma quantidade enorme de água doce durante todo o processo de produção.

Enquanto isso, os indígenas (em sua maioria não influenciados pela tendência contemporânea ao crescimento econômico agressivo) culturalmente enxergam nos ecossistemas partes fundamentais de sua própria existência. Dessa forma, para eles, defender a biodiversidade ambiental se torna uma maneira de autodefesa, e preservar a floresta passa a ser um investimento no próprio futuro. É fato, então, que as TIs servem como muralhas que retardam a exploração capitalista nos lugares em que estão incluídas, pois não ficam à merce de ações destrutivas por parte de seus habitantes.

Cabe, por conseguinte, à União, detentora da posse sobre as TIs, garantir o direito dos índios sobre essas áreas, através do enrijecimento das leis ambientais e o investimento em meios alternativos de produção que não envolvam a exploração intensiva de ecossistemas. Isso se daria com o fim de estabelecer os povos que vivem nessas áreas como elementos fundamentais da preservação ambiental ante o avanço da pecuária.

Além disso, seria ideal que a própria população brasileira, como um todo, se empenhasse em apoiar as causas indígenas (como a luta pela posse das TIs, por exemplo) utilizando das redes sociais para divulgar, financiar e compartilhar conhecimentos acerca da cultura preservacionista das comunidades ameríndias. Dessa maneira, não apenas os brasileiros não-índios entenderiam a importância da valorização dessas populações, mas também se tornariam agentes ativos no cumprimento das leis e medidas estabelecidas pela União acerca das questões ambientais.