A importância de valorizar a população indígena

Enviada em 23/10/2021

Durante o período colonial brasileiro, indígenas sofreram nas mãos dos colonizadores e houve a extinção de tribos inteiras e territórios, havendo a perda de diversas culturas e conhecimentos. Em consequência disso, no século XX, na tentativa de reparar erros históricos e garantir direitos originários, leis de demarcação de terras foram criadas. Entretanto, na mesma perspectiva, surgiram novos conflitos relacionados a esses territórios no contexto das relações socioeconômicas. Nesse sentido, a mercantilização das terras brasileiras e a consequente insegurança territorial dos povos são pontos a serem discutidos.

Em primeira análise, o Brasil, por ser uma nação agroexportadora, tem a agropecuária como uma grande influência nas decisões e concordâncias dentro do espaço demarcado. Assim, muitos consideram as concessões às tribos absurdas - e se posicionam contra -, por considerarem um desperdício de aproveitamento financeiro dessas áreas. Diante disso, o pensamento ruralista e latifundiária do brasileiro, vinda dos históricos períodos dos engenhos e do café, afetam a percepção social do brasileiro, que em consonância com a teoria da Banalidade do Mal de Hannah Arendt, mostra a naturalização dessa mentalidade e como ela contribui ao surgimento de conflitos socioespaciais.

Consequentemente, a dependência dos povos aos tribunais os quais são regidos, na maioria das vezes, por adeptos ao aproveitamento máximo dos recursos naturais do país, trás a insegurança do tamanho e da adaptabilidade aos territórios destinados. Com isso, as limitações são diversas, e os conflitos são recorrentes por conta da mentalidade e do desconhecimento acerca das origens e da relação espacial dos povos, havendo situações nas quais são determinadas áreas incompatíveis aos costumes, crenças e caça. Desse modo, os preceitos da realidade do exercício dos direitos cidadãos defendidos no livro “Cidadão de Papel” se tornam verídicos no cenário brasileiro, no qual a população indígena se encontra, apenas na teoria, exercendo seus direitos.

Portanto a fim de atenuar as adversidades, medidas têm de ser tomadas. Logo, é imperativo que o Ministério da Cidadania, em parceria com as mídias sociais, difunda para a população brasileira a importância da demarcação dos territórios indígenas por meio de vídeos interativos na redes, uma vez que contem com a participação e o testemunho de tribos afetadas pelas ações irregulares, com a finalidade de garantir a adesão da populaçao à causa e a tomada de conhecimento acerca da situação para que não vejam o processo de demarcação como um desperdício e sim como um investimento na cidadania. Desta maneira, os conflitos em torno da demarcação estarão cada vez mais distantes da realidade do país.