A importância de valorizar a população indígena
Enviada em 19/07/2023
Lima Barreto, grande escritor pré-modernista, desenvolveu em suas obras um cunho nacionalista, cuja principal característica reside em expor os problemas sociais do Brasil e escancarar a crítica política. Segundo a lógica barretiana, faz-se preciso, portanto, revelar também a problemática em torno da falta de valorização das comunidades indígenas e locais no Brasil, já que não há a devida importância de valorizar a população indígena. Nesse sentido, a fim de conter os males relativos a essa temática, é importante analisar a negligência estatal e a educação brasileira.
A princípio, é essencial destacar a maneira como parte das autoridades do Estado costuma cuidar do patrimônio cultural dos grupos nativos no Brasil. Isso porque, como afirmou sociólogo Darcy Ribeiro, em sua obra “O Povo Brasileiro”, a leis no Brasil são decorativas, visto que, apesar de robustas na teoria, muitas vezes, não se concretizam na prática. Prova disso é a escassez de políticas públicas suficientes para combater à desvalorização das nações indígenas. Isso é perceptível na constatação de que raramente há publicidade do Governo para conscientização sobre essa questão, assim, também, como poucos espaços para acolher essas pessoas. Dessa forma, compreende-se que nem mesmo o Poder Público e suas ferramentas legais têm sido capazes de garantir a valorização dos grupos indígenas.
Além disso, é igualmente preciso apontar o ensino escolar, no modelo predominante no Brasil, como outro aspecto que contribui para a falta de valorização dos povos indígenas. Para entender tal apontamento, é válido aludir à obra “Educação é um direito”, do educador e escritor brasileiro, Anísio Teixeira, a qual promove importante reflexão sobre a necessidade de as escolas fomentarem não só o conhecimento técnico-científico, mas também habilidades socioemocionais, como respeito e empatia. A partir dessa premissa, pode-se afirmar que a maioria das instituições de ensino brasileiras, uma vez que são conteudistas, não contribuem no combate à desvalorização da cultura indígena no Brasil e, portanto, não formam indivíduos da forma como Teixeira idealiza.
Ante a tal contestável situação, faz-se urgente, pois, que o Ministério Público, cujo dever, de acordo com o artigo 127 da “Constituição Cidadã”, é garantir a ordem jurídica e a defesa dos interesses sociais e individuais indisponíveis, cobre do Estado ações concretas a fim de combater a desvalorização das comunidades indígenas e povos tradicionais no Brasil. Entre essas ações, deve-se incluir parcerias com as plataformas midiáticas, nas quais propagandas de apelo emocional, mediante depoimentos de pessoas que sofrem esse tema, deverão conscientizar a população acerca da importância do respeito e da saúde mental.