A importância do desenvolvimento sustentável no Brasil

Enviada em 26/09/2019

Em 1992, a ONU promoveu a Conferência da Terra - popularmente conhecida como Eco-92 - em que foram desenvolvidos os 3 Rs da Sustentabilidade: reduzir, reutilizar, reciclar. Entretanto, a iniciativa das Nações Unidas não atingiu substancial parcela dos brasileiros, já que, em regra, a sociedade mostra-se incapaz de entender a importância dos 3 Rs, o que apresenta grave problema para o desenvolvimento sustentável. Com efeito, há de se desconstruir a histórica cultura de indiferença ambiental, bem como o interesse privado das autoridades.

Em primeiro plano, a indiferença dos indivíduos representa obstáculo para o progresso sustentável. A esse respeito, o filósofo contratualista Jean-Jacques Rousseau defendia a tese segundo o qual os cidadãos seriam responsável por todos os rumos da sociedade democrática. Ocorre que os indivíduos contemporâneos são incapazes de colocar em prática o que foi defendido por Rousseau, o que gera a manutenção de atitudes impróprias diante da ineficiência do desenvolvimento consciente no país. Assim, não é razoável que a inércia dê espaço a um dos mais graves problemas para a presente - e futura - geração: a ausência do crescimento consciente.

De outra parte, o crescimento almejado atualmente pelo Estado vai de encontro ao desenvolvimento sustentável. Nesse viés, Sérgio Buarque de Holanda desenvolveu, em 1936, o conceito de “Cordialidade” que diz respeito à incapacidade de valorização dos interesses coletivos. Todavia, não há como promover o crescimento sustentável com prevalência de atitudes cordiais por parte do poder público, que se omite diante de interesses privados e de tragédias inaceitáveis, como as de Mariana e de Brumadinho. Dessa maneira, enquanto a “Cordialidade” for a regra para o Estado, a defesa dos interesses coletivos será a exceção.

Impende, pois, que conceitos desenvolvidos na Eco-92 sejam colocados em prática. Para isso, os cidadãos  - no exercício do seus senso crítico - devem, com urgência, promover debates, por meio de mídias sociais, a fim de esclarecer a importância de colaborar coletivamente para o crescimento sustentável no Brasil. Por sua vez, o Ministério Público pode, com urgência, denunciar empresas que não colaboram com o desenvolvimento consciente no país, por meio de Ação Civil Pública, com a finalidade de punir empresários que se importam apenas com interesses individuais. Dessa forma, observada a ação conjunta entre indivíduos e Estado, alcançará o Brasil o equilíbrio entre crescimento e sustentabilidade.