A importância do desenvolvimento sustentável no Brasil
Enviada em 23/10/2019
Em sua obra “A Cidade e as Serras", o escritor português Eça de Queiroz expõe um dilema moderno: a dualidade entre o progresso científico e sua consequente destruição da natureza. Fora das páginas, é fato que o crescimento sustentável também é pauta de diversas discussões no mundo, haja vista a necessidade de concomitar o meio técnico com o meio natural. Desse modo, a emergência de políticas públicas no tocante à preservação do meio-ambiente somada necessidade da criação de uma cultura sustentável corroboram a importância que essa questão tem perante o território brasileiro.
A princípio, reconhece-se como o governo deve zelar pelo meio natural com afinco, já que esse é imprescindível à existência humana. De acordo com os ideias iluministas discorridos pelo contratualista John Locke, o Estado deve, por princípio, proteger o território pertencente à população que está submetido, guarnecendo o direito dessa de gozar de plena vida. Logo, se políticas públicas que visam o combate a possíveis dolos ambientais, como o desmatamento ou a extinção da fauna, não são acolhidas pelo Estado, é inconcebível acreditar que tal instituição exerça o real papel pelo qual foi construída.
Além disso, é ponto pacífico inferir que o Governo não é o único responsável pela perpetuação do meio natural, sendo dever de todo indivíduo reconhecer a importância dos recursos provindos do ambiente bem como preservá-los. Acerca disso, rememora-se o discurso do filósofo alemão Hans Jonas, que disserta que a condição inexorável a qual deveria direcionar as ações humanas é a continuidade da espécie, ou seja, toda ação individual deveria pautar-se na sustentabilidade. Portanto, é praxe que o reconhecimento civil da causa ambiental, segundo preceitos éticos, é fundamental para a manutenção do progresso sem significativo detrimento do meio natural.
Destarte, é notório que a causa ambiental necessita de reconhecimento de sua importância a fim de consolidar o ideal de progresso sustentável. Para tanto, é mister que o Ministério da Educação – em parceria com o Ministério do Meio Ambiente – crie aulas especiais ,dentro das disciplinas de Ciências e Biologia, que atentem ao uso sustentável dos recursos naturais bem como captem projetos civis, dentro dessas aulas, que, por meio de auxilio governamental, possam construir um ideal sustentável com a parceria Estado-sociedade. Dessa forma, é passível de concepção uma realidade brasileira na qual o progresso científico não seja cerceado, contudo, repensado sob uma ótica que não enfrente mais o dilema de “A cidade e as Serras”, mas sim a prevaleça a vida sobre todas as formas de destruição ambiental.