A importância do desenvolvimento sustentável no Brasil
Enviada em 25/07/2020
No livro “Admirável mundo novo”, Aldous Huxley retrata uma sociedade em que seus integrantes são destituídos de uma consciência crítica, impedindo as percepções acerca dos problemas sociais que os circundam. Contudo, essa alienação não se restringe à obra distópica, já que, no Brasil, segmentos políticos e sociais não têm compreendido, de fato, a gravidade da falta de um desenvolvimento sustentável, dificultando a sua resolução. Nesse prisma, cabe analisar essa questão no país.
De início, pontua-se que o Poder Público revela-se omisso ao permitir a ausência de um desenvolvimento sustentável. Isso porque existe uma deficiência no processo de elaboração das leis, uma vez que a legislação ambiental vigente, por ser considerada branda, não tem inibido, por exemplo, a ampliação da fronteira agrícola por meio da prática de desmatamento de áreas florestais, comprometendo, assim, o direito à preservação dos recursos naturais. Vê-se, então, que o Estado não tem assegurado o bem-estar de toda a coletividade, demonstrando um desrespeito aos princípios previstos na Constituição Federal de 1988.
Ademais, enfatiza-se que aceitar a falta de um desenvolvimento sustentável é banalizar o mal. Porém, parte da sociedade tem apresentado uma certa resignação diante do baixo investimento estatal nas universidades públicas, visto que faltam verbas para ampliar a realização de pesquisas científicas que estabeleçam caminhos para explorar, de forma racional, o meio ambiente, sem, no entanto, comprometer o habitat de espécies da fauna e da flora. Constata-se, com isso, que a naturalização dessa problemática corrobora os estudos da filósofa Hannah Arendt, posto que, segundo ela, a massificação social exerce influência sobre os indivíduos, fazendo com que percam a capacidade de distinguir o que é ou não aceitável.
Infere-se, portanto, que o desenvolvimento sustentável deve ser alcançado. Logo, é necessário exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, a elaboração de leis ambientais mais rígidas, priorizando a aplicação de multas elevadas àqueles que desmatarem, para plantio, áreas florestais ilegalmente, com o intuito de evitar essa prática e fortalecer, consequentemente, a preservação dos recursos naturais. Além disso, é fundamental sensibilizar a população, por meio de campanhas produzidas por veículos midiáticos, sobre a importância de não se manter inerte diante da falta de um desenvolvimento sustentável, potencializando, assim, a mobilização coletiva em prol de um maior investimento estatal em pesquisas científicas, visando ao desenvolvimento de formas de explorar o meio ambiente sem comprometê-lo para as diferentes espécies da fauna e da flora. Desse modo, a falta de senso crítico diante de impasses poderia se restringir à obra de Huxley.