A importância do desenvolvimento sustentável no Brasil
Enviada em 11/08/2020
Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão da sustentabilidade no Brasil. Nesse contexto, tornam-se evidentes como causas dessa problemática a ignorância da população em relação à necessidade de mudança de hábitos, bem como a falta de compromisso do governo em promover essa mudança.
Desenvolvimento sustentável é, por definição, um desenvolvimento que garante sustento econômico e, ao mesmo tempo, atenta-se à questões ambientais e sociais. Em outras palavras, é o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual sem comprometer as que estão por vir. É o que pode-se depreender do Art. 225 da Constituição Federal, o qual reitera que todos têm direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Entretanto, esta não é a realidade dos dias de hoje. É possível perceber uma certa despreocupação dos poderes públicos em relação a este problema. De acordo com Izabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente, os avanços no desenvolvimento sustentável esbarram na falta de vontade política, o que impede a adoção de medidas mais concretas e agressivas.
No ano de 1992, o Brasil sediou a Eco-92, evento internacional que tinha como objetivo discutir as metas de preservação do ambiente para o milênio seguinte, além de alertar sobre a conscientização ambiental em todos os países do mundo. Vinte anos após esse marco e novamente no Brasil, foi realizada a Rio+20, a fim de retomar as metas estabelecidas na convenção anterior e averiguar sua efetivação. Todavia, os resultados foram insatisfatórios. Ainda atualmente, a situação continua extremamente alarmante. Relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que 1 milhão de espécias da fauna e da flora enfrentam risco de extinção dentro de décadas. Além disso, segundo o Banco Mundial, se a população chegar a 9,6 bilhões de pessoas em 2050, serão necessários quase 3 planetas para proporcionar recursos naturais a fim de manter o atual estilo de vida de humanidade, implicando, dessa forma, a imprescindibilidade da mudança de comportamentos da mesma.
Portanto, essa temática representa uma ameaça concreta não apenas aos indivíduos diretamente envolvidos como a todos os cidadãos que, indiretamente, também figuram como vítimas de seu legado. Nesse sentido, o Ministério do Meio ambiente, juntamente com o poder legislativo, deve implantar novas políticas de preservação ambiental que sejam verdadeiramente efetivas, por meio da devida punição aos crimes ambientais cometidos e com maior divulgação da relevância da denúncia. Espera-se, com isso, alertar a população acerca da relevância e necessidade de reversão da atual e agravante situação.