A importância do desenvolvimento sustentável no Brasil
Enviada em 03/09/2020
Na obra “Iracema”, o autor José de Alencar enaltece a exuberância da flora e da fauna brasileiras. Atualmente, tendo em vista a importância da preservação de tal biodiversidade, crescem os debates acerca da implantação do desenvolvimento sustentável no país. Apesar de necessária, a plena união de progresso econômico e sustentabilidade encontra na agricultura intensiva e na passividade civil seus principais obstáculos.
A princípio, observa-se que a prática agrícola com foco apenas na lucratividade favorece o progresso pautado na degradação ambiental. Quanto a isso, a organização “Florest Trends” aponta que a lavoura comercial é responsável por 70% do desmatamento em florestas tropicais, como a Amazônia. Nesse sentido, ao basear sua economia na agroexportação, a nação atrela seu crescimento a quantidade de alimento produzido. Por conseguinte, desenvolver-se passa a ser sinônimo de adquirir mais território para o plantio, o que implica, por vezes, na extração vegetal e uso excessivo de fertilizantes no solo. Tais medidas são potencialmente perigosas, uma vez que favorecem a industrialização calcada na escassez de recursos naturais, no sentido oposto ao ecológico.
Outrossim, a não adoção de medidas de conservação do meio ambiente pela sociedade brasileira contribui para a problemática. Para o filósofo Aristóteles, cidadão é aquele que contribui ativamente para a melhoria de sua comunidade. Diante disso, ao reciclar apenas 1% de seu lixo plástico - segundo dados do Fundo Mundial para a Natureza -, os sujeitos passam a integrar um processo de “apatia cidadã”, através do qual se isentam da responsabilidade de reciclar e reutilizar materiais danosos aos ecossistemas marinho e aquático. Dessa forma, os indivíduos dificultam a implantação do desenvolvimento sustentável, pois realimentam um ciclo baseado na superprodução de descartáveis.
Depreende-se, portanto, que o pleno estabelecimento do desenvolvimento sustentável no Brasil é uma necessidade latente. Para tal, tendo em vista a redução dos malefícios causados pela agricultura intensiva, cabe ao Governo Federal incentivar o plantio sustentável, por meio de planos de investimentos para agricultores que comprovarem reduzir os danos à natureza adotando técnicas como rotação de cultura, adubação verde e reflorestamento, cujos impactos benéficos seriam comprovados por técnicos especializados. Além disso, o Ministério da Cidadania deve promover maior participação da população nas questões ligadas ao meio ambiente, mediante campanhas conscientizadoras que abordem a importância da participação do cidadão na preservação da natureza, bem como o fornecimento de serviço público semanal de recolhimento de recicláveis. Espera-se, assim, que as gerações futuras possam desfrutar da biodiversidade tão cara ao autor José de Alencar.