A importância do desenvolvimento sustentável no Brasil
Enviada em 31/08/2020
No clássico conto infantil do Dr. Seuss “O Lorax”, é contada a história de uma entidade da floresta que conscientiza sobre a necessidade da preservação e da sustentabilidade ambiental. Contudo, interesses corporativistas que visam a ampliação de espaços econômicos em detrimento direto do meio ambiente,iniciam um projeto de expansão pela floresta, e as consequências sociais chegam a causar até mesmo a privatização do ar. Fora da ficção, os interesses econômicos de corporações se encontram constantemente em oposição, devido em grande nível à cultura de consumismo e ao modelo econômico atual.
Em primeiro lugar, é necessário compreender como a cultura do hiperconsumo. Segundo o filósofo francês Gilles Lipovetsky, a cultura de consumo tem como mote o “prazer pelo prazer”, ou o “consumo pelo consumo”. Logo, o consumo não tem em si uma finalidade, ele é a finalidade. O consumo em si carrega valores, status e posições, representando muito mais que o produto em si. Esse movimento, intensificado principalmente durante a década de 1970, tem resultados antagônicos ao desenvolvimento sustentável, e representa uma ameaça a um futuro ecologicamente consistente.
Em segundo lugar, faz-se como preciso o entendimento do modelo expansionista de mercado representado na sociedade do Capital. De acordo com o geógrafo David Harvey, o capitalismo é um sistema econômico sustentado pela sua própria expansão. Assim sendo, em seu período colonial, houve a expansão para as Américas e para África, prosseguindo com esse processo até meados do século XX. Ao encontrar barreiras ou limites de expansão, o Capital constrói uma “destruição criativa”, ou sejam, uma destruição que abre novos horizontes de desenvolvimento e expansão. Essa expansão constante é tão intrínseca ao sistema que países que crescem com uma taxa inferior de 3% ao ano estão em crise, mesmo que supram todas as necessidades de seu povo. Evidentemente, os impactos ecológicos se tornam necessários, e são completamente desprezados em nome do “crescimento”.
Portanto, para combater os obstáculos do desenvolvimento sustentável no Brasil, assim entendendo sua importância, é crucial um projeto do Ministério da Educação junto com as secretarias da educação estaduais com o intuito de desconstruir, gradativamente, a influência do hiperconsumismo por meio de uma educação questionadora e crítica, desenvolvendo um currículo mais problematizador. Para além disso, dá-se como imperativo um projeto do Ministério da Economia de planificação econômica, fugindo, assim, da lógica mercadológica produtivista e expansionista, que tanto fere o meio ambiente, aderindo à um modelo socialista de alocação racional de recursos pelo Estado. Assim, a prevalência de interesses particulares ante a um desenvolvimento sustentável permanece no plano dos contos infantis.