A importância do empreendedorismo feminino na sociedade brasileira

Enviada em 02/09/2019

A importância da autoestima financeira das mulheres

No texto “Contribuição à crítica da economia política” (1859), Karl Marx explicou a existência de dois níveis de produção da sociedade: a infraestrutura, que comporta as relações econômicas; e a superestrutura, onde as classes e os grupos sociais formados no nível anterior, organizam-se uns em relação aos outros, ora em aliança, ora em oposição. Os intérpretes da obra marxiana entendem essa teoria de diversas maneiras, mas é possível afirmar que todos compreendem a sobrevivência econômica de uma classe, ou grupo social, enquanto condição de sua sobrevivência política. No caso da luta política das mulheres, pode-se afirmar que a organização econômica desse grupo social seria importante para a conservação e o avanço das conquistas de gênero. Há, de fato, uma tradução desse movimento na atualidade: o empreendedorismo feminino. Sua importância advém da capacidade de fortalecer a luta social e histórica através do conceito de autoestima financeira. Busca-se nesta reflexão, portanto, demonstrar o que é autoestima financeira e por que é necessária e, sobretudo, por que desempenha um papel central na luta das mulheres na sociedade.

Segundo o artigo da revista Exame, “O cenário de empreendedorismo no Brasil”, de dezembro de 2007, a autoestima financeira significa o “nível de segurança para lidar com o dinheiro de forma a aumentar sua autonomia”. Assim, ela consiste num padrão de gestão das finanças e, ao mesmo tempo, uma capacidade de tomada de decisões, que tem por finalidade manter e ampliar os negócios com sustentabilidade econômica. Esse conceito, portanto, traz dois aspectos fundamentais, um técnico e outro comportamental, que podem dar maior solidez aos negócios liderados por elas.

Conforme o Itaú Mulher Empreendedora, citado no mesmo artigo, a falta de autoestima financeira está relacionadas ao fato de empresas lideradas por mulheres terem a vida mais curta. A insegurança deve-se à dominação do mercado e da vida pública pelos homens desde a antiguidade. É importante lembrar que as mulheres brasileiras apenas puderam tirar CPF a partir de 1962, o que significa que a história financeira delas é muito recente e curta. Logo, a necessidade de fomentar a autoestima feminina no mercado é latente e pode ser construída através da capacitação técnica e incentivo social.

Em vista disso, pode-se dizer que o conceito de autoestima financeira desempenha papel central na luta das mulheres, porque contribui para a consolidação da infraestrutura de um grupo social inteiro. Dessa forma, cabe aos governos estaduais e municipais estimular o debate entre as meninas em torno desse tema por meio de rodas de conversa e mesas de convidados nas escolas. Espera-se, então, que a insegurança das jovens no mercado diminua com o tempo.