A importância do empreendedorismo feminino na sociedade brasileira

Enviada em 20/11/2019

A série “Coisa Mais Linda”, retratada no Rio de Janeiro nos anos 50, demonstra as dificuldades enfrentadas pela protagonista para abrir seu próprio negócio, fato que evidencia como a mulher era considerada incapaz de empreender negócios de sucesso. Atualmente, embora a participação feminina no empreendedorismo brasileiro tenha aumentado consideravelmente, a persistência de uma sociedade patriarcal ainda configura-se com um grande impasse na conquista do espaço pelas mulheres e, consequentemente, na possibilidade de igualdade de gênero nos demais âmbitos da sociedade.

A priori, no cenário brasileiro contemporâneo, o machismo ainda é bastante presente, o que deixa as mulheres sujeitas a diversos tipos de preconceito e falta de oportunidades por conta do sentimento de superioridade masculino enraizado na sociedade. Segundo a Constituição Federal de 1988, todos os indivíduos devem ser tratados igualmente. Entretanto, a persistência do patriarcalismo tornar maior parte da população feminina, analogamente ao conceito de “cidadão de papel” do escritor brasileiro Gilberto Dimenstein, “cidadãs de papel”, já que o direito não é efetivado na prática. Esse fator as impossibilita, muitas vezes, de empreender, seja pela falta de apoio e ou de investimento já que, para muitos, investir em homens, considerados mais fortes e focados, dará maior estabilidade ao investimento.

Ademais, aumentar o empreendedorismo entre as mulheres, oferecendo-lhes condições análogas às que os homens têm acesso, é de fundamental importância para a sociedade, uma vez que possibilitará maior empoderamento da população feminina. Isso, por consequência, culmina em uma igualdade de gêneros não só no ambiente trabalhista, mas em outros âmbitos da sociedade em que ainda persiste a superioridade masculina. Desse modo, poderá-se-a formar uma sociedade com maiores chances de desenvolvimento já que haverá ajuda mútua entre os sexos e não um se colocando superior ao outro.

Destarte, em virtude dos fatos supracitados, é evidente a necessidade de mudança, sobretudo nos conceitos ainda persistentes na sociedade atual de que o homem é superior a mulher. Logo, cabe às Instituições Escolares, responsáveis pelo desenvolvimento físico, cognitivo e afetivo do indivíduo, promover, desde as séries iniciais, o ensino sobre igualdade de gênero. Isso deve ser feito por meio de aulas e debates que visem demonstrar a importância de tratar a todos igualitariamente. Assim, os indivíduos serão formados de maneira a analisar negócios não pela pessoa que o faz, mas pela ideia, oferecendo, assim, oportunidades iguais em entre homens e mulheres e haverá, consequentemente, estímulo ao empreendedorismo feminino visto que não haverá preconceitos. Ao fazer isso, será possível minimizar cenas como a retratada na série “Coisa Mais Linda” do contexto tupiniquim.