A importância do empreendedorismo feminino na sociedade brasileira
Enviada em 05/09/2020
Desde o movimento sufragista inglês, no qual mulheres se manifestaram pelo direito de participar das eleições na Inglaterra, a contemporaneidade tem sido marcada pelo avanço dos direitos conquistados pelas mulheres através de muita luta e dedicação. Entretanto, ainda que muito tenha sido conquistado, ainda é possível observar a desigualdade entre os sexos em diversas áreas. Empreender é uma área em que tal desigualdade está presente, pois as mulheres não passam por uma educação que formente o empreendedorismo e nem conseguem linhas de crédito que viabilizem suas empresas.
Segundo o educador Paulo Freire, “Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo”, ou seja, a educação é um fator primordial para a transformação da realidade em que se vive. Contudo, quando se pensa numa educação que leve em conta o empreendedorismo, principalmente o social, cujo, além do lucro, tem aspirações de mudar contextos sociais locais, o sistema escolar brasileiro não possui matérias que abordem este tema, focando em uma abordagem conteudista e sem diálogo com a realidade dos estudantes. Associado a isso, a pouca abordagem de questões de gênero nas escolas produz gerações de mulheres que vêem o empreendedorismo como uma oportunidade são a exceção e não a regra.
Concomitante aos problemas educacionais, as mulheres enfrentam desafios na hora de conseguir crédito para as suas empresas. Segundo o Sistema de reservas federal dos Estados Unidos, ainda que peçam crédito na mesma proporção dos homens, apenas 61 por cento das mulheres conseguem algum tipo de financiamento para iniciar as suas empresas., o que arruína quaisquer desejos de empreender, pois uma empresa não se sustenta durante os primeiros anos sem um Capital Inicial e de Giro. Nesse sentido, muitas mulheres precisam utilizar recursos próprios para empreender, fator que desencoraja futuros empreendedores por colocar sua vida financeira em alto risco de colapso, e ainda acaba favorecendo as pessoas de maior poder aquisitivo por terem mais recursos próprios disponíveis.
Neste contexto, urge-se que o Ministério da Educação promova palestras nas escolas sobre empreendedorismo nas escolas e que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social crie linhas de crédito específicas para empreendedoras, principalmente para aquelas ligadas ao empreendedorismo social. Tal linha de crédito deverá ter juros adequados para cada realidade das empreendedoras e, em contra partida, a beneficiária precisará criar um modelo de negócio que traga um impacto positivo para o local onde a empresa estará inserida e que tenha ao menos metade dos funcionários do sexo feminino. Somente assim aumentaremos as conquistas sociais das mulheres e reduziremos a desigualdades entre os sexos na hora de empreender.