A importância do empreendedorismo feminino na sociedade brasileira

Enviada em 12/10/2020

O mercado financeiro ainda imprime o estigma de gênero - na qual a imagem de sucesso está centrada na figura masculina - e configura-se um dos obstáculos para o empreendedorismo feminino. Nessa perspectiva, no contemporâneo, ainda que assegurada na constituição a igualdade de gênero nos termos da lei, na prática o cenário é de desafios e rompimento com herança histórica de subordinação. Com efeito, para uma sociedade mais inclusiva, diversa e inovadora, hão de se apoiar o empreendedorismo no Brasil, com pontual combate do machismo e da discreta representatividade.

Em primeiro plano, a figura feminina centrada, primordialmente, nos afazeres domésticos é um dos principais obstáculos dessa questão. Nesse sentido, desde a Grécia antiga, em uma das maiores cidades-estados - Esparta -, a mulher tinha como função social conceber filhos saudáveis e aptos para proteção das fronteiras, e para guerrear. No entanto, o cenário vislumbrado, na atualidade, demonstra que se transpassaram muitas fronteiras, e a importância feminina na tomada de importantes decisões do cenário mundial é evidente. A francesa Gabrielle Chanel, cuja marca carrega seu sobrenome é, decerto, um dos maiores exemplos de ressignificação e luta no mundo dos negócios contra a hegemonia masculina. Lê-se, pois, como grave diante de tão nocivo cenário, a cultura patriarcal.

De outra parte, a frágil representatividade do gênero configura-se como outro desafio. A esse respeito, no filme do super herói “Homem-Aranha” a narrativa é essencialmente focada na imagem masculina, e a participação feminina de Mary Jane é de ser sempre ser salva por Peter, dado que, no enredo, sua carreira é um fracasso. Fora da ficção, o mundo do empreendedorismo ainda vê a mulher como um ser menos capaz que o homem, e nas grandes corporações evidencia-se que quanto maior o cargo, maior a desigualdade, no Brasil menos de 1% de CEO são mulheres. Nessa lógica, é inconcebível que em um Estado Democrático de Direitos, em que todos participam de forma igualitária na composição do PIB nacional, ainda persista a imagem da mulher como um ser frágil, pequeno e incapaz. Logo, trabalhar a representatividade feminina é uma necessidade inadiável.

Impende, portanto, apresentar caminhos para que o empreendedorismo feminino ganhe voz no Brasil. Para tanto, o Congresso Nacional - responsável por elaborar/aprovar leis, deverá criar uma lei que versa sobre o incentivo fiscal para o empreendimento gerido por mulher, com desconto de pelo menos 10% dos encargos tributários. Essa medida incentivará esse público a investir, gerar empregos e renda, de modo que, se rompa com a herança histórica de subordinação feminina, e consequente maior participação social das mulheres. Feito isso, os preceitos de igualdade que versa a carta magna serão factuais na nação.