A importância do empreendedorismo feminino na sociedade brasileira
Enviada em 24/10/2020
Em 2016, mais da metade dos empreendimentos brasileiros abertos eram de mulheres, segundo Hilka Machado, especialista em empreendedorismo. Entretanto, as empresárias têm uma alta probabilidade de falirem e raramente participam ou lideram negócios promissores, pois não possuem total apoio da sociedade. Desse modo, o legado histórico e a lenta mudança de mentalidade da população estagnam o desenvolvimento de empresas com liderança feminina.
Nessa perspectiva, há presente, na problemática, uma bagagem histórica. De acordo com o antropólogo Lévi-Strauss, para se compreender ações coletivas atuais, é preciso entender e estudar eventos históricos. Assim, apesar de dificuldades para o desenvolvimento do empreendedorismo de mulheres existirem, em massa, na contemporaneidade, elas apresentam origens no passado do Brasil, como quando os direitos e leis não se direcionavam ao sexo feminino, o que dificulta, arduamente, a resolução da questão.
Além disso, destaca-se, em meio ao problema, a devagar transição da mentalidade brasileira. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de se pensar. Nessa lógica, percebe-se que a desvalorização de empreendimentos femininos é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social patriarca, a tendência é haver, majoritariamente, aprovação popular de empresas com líderes homens. Contudo, no século XXI, esse estigma não é mais, integralmente, a base da sociedade, ou seja, renegar essa mudança torna a absolvição do tema complexa.
Portanto, uma intervenção deve ser feita. E diante disso, o Governo, em parceria com órgãos de apoio a temática, promoverá uma campanha de divulgação de empreendimentos femininos, por meio de “lives online” e postagens, em diversas redes sociais. Tal iniciativa contará ainda com palestras virtuais sobre como empreender sendo uma mulher, afim de demonstrar ao povo a importância socioeconômica do empreendedorismo feminino, a necessidade de desenvolver representatividade e diversificar o modelo social brasileiro, de forma a atenuar as diferenças relacionadas ao gênero instauradas no país, com o passar das décadas.