A importância do empreendedorismo feminino na sociedade brasileira
Enviada em 09/12/2020
Segundo dados do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), a presença feminina no empreendedorismo cresce continuamente no Brasil, o que reverbera em importantes transformações sociais como a quebra de estigmas e aumento da autonomia. Logo, é necessário analisar os desdobramentos implicados nesse fenômeno.
A princípio, o advento da mulher como diretora do próprio negócio corrobora a superação do preconceito do gênero na sociedade patriarcal. O patriarcalismo, por sua vez, é um modelo de organização social existente desde o período paleolítico que exalta a condição masculina ao prestar-lhe maior autoridade e inferiorizar mulheres, as quais se limitariam à função de cuidadoras do lar. Contudo, tal simplificação das habilidades de cada sexo não é factível, quando observamos empreendedoras como Luiza Trajano, comandante da rede de lojas Magazine Luiza, que ascendeu profissionalmente com a qualidade de seus produtos e tratamento humanizado de clientes e funcionários, o que reforça a capacidade de mulheres atuantes nesse âmbito. Assim, o estereótipo trata-se apenas uma falácia sexista que, infelizmente, perdura no século XXI e dificulta a valorização das mulheres como potenciais empreendedoras.
Além disso, a ampliação da independência financeira e profissional proporcionada pelo crescimento do empreendedorismo feminino é uma conquista social, pois muitas mulheres ultrapassam dificuldades devido ao gênero e trazem importantes contribuições para a economia e a sociedade. Um exemplo é Monique Evelle, empresária negra e idealizadora do projeto Desabafo Social, que afirma ser necessário fortalecer comunidades carentes de recursos, como favelas, para a realização de empreendimentos que possam agregar valor positivo à sociedade como a autonomia e redução de desigualdade socioeconômica, sem romantizar o processo árduo de empreender. Dessa forma, é perceptível que a participação feminina no empreendedorismo fortalece não apenas a elas próprias, mas à sua comunidade como um todo, e por isso deve ser continuamente incentivada para o desenvolvimento social.
Portanto, há necessidade de contornar os obstáculos do empreendedorismo feminino. Para tanto, o Ministério da Economia e ONGs com foco em empreendedorismo devem realizar um projeto que incentive mulheres de todo o Brasil a empreenderem, por meio de aulas televisionadas e cursos presenciais gratuitos com foco em gestão financeira e administração, fornecendo uma renda inicial para a fundamentação de cada empreendimento, a fim de ajudá-las a criarem negócios rentáveis e duradouros. Assim, as brasileiras empreendedoras superarão o preconceito e desigualdades sociais.