A importância do empreendedorismo feminino na sociedade brasileira
Enviada em 30/12/2020
O Brasil é marcado por desigualdades em termos de oportunidades e reconhecimento para as mulheres no cenário dos negócios, frente ao favorecimento imposto aos homens. Esse fato torna premente o incentivo ao empreendedorismo feminino no Brasil, visando a desconstrução de uma sociedade historicamente afetada pela hierarquia de gêneros, a qual tem implicações no mercado de trabalho. Além disso, valorizar a atuação feminina nessa área representa a afirmação de que as mulheres podem cumprir qualquer ofício, independente da sua vida pessoal.
Conforme esse raciocínio, as dificuldades enfrentadas pelas mulheres em empreender têm relação com o predomínio e valorização históricos dos homens em cargos de liderança. Nesse contexto, o sociólogo Gilberto Freyre, em sua obra “Casa-Grande e Senzala” apresenta a estratificação social da família colonial brasileira, a qual era estruturada na definição hierárquica dos papéis entre gêneros. Nesse modelo, cabia ao homem o papel de administrador e chefe e às mulheres as funções submissas relacionadas apenas ao lar e família. Tal realidade patriarcal submeteu a figura da mulher ao esteriótipo de dependência e inferioridade na realização de certos trabalhos, tendo reflexos até os dias de hoje com relação ao reconhecimento das mesmas em cargos de administração de negócios.
Sob o mesmo prisma de abordagem, a consolidação do empreendedorismo feminino vai de encontro à convenção social de que algumas mulheres não conseguem conciliar devidamente trabalho e responsabilidades pessoais. Sobre isso, o fiolme “Joy: um nome de sucesso” retrata a história real de uma mãe solteira e inventora, que luta para ter o reconhecimento profissional de suas criações, a despeito das dificuldades impostas pela sociedade e das responsabilidades pessoais, até se tornar uma das empresárias mais bem sucedidas dos Estados Unidos. Nesse sentido, esse exemplo verídico demonstra que o empreendedorismo pode ser devidamente posto em prática pela população feminina, a qual tem tanto potencial para ser bem-sucedida quanto parcela masculina da sociedade.
Com isso, trasnformar a mentalidade patriarcal e preconceituosa dos brasileiros é um passo fundamental para valorizar o empreendedorismo feminino. Para tanto, cabe ao Ministério do Trabalho criar um programa de incentivo nessa área, por meio de campanhas midiáticas com relatos de empreendedoras de sucesso em diversas áreas, a fim de estimular outras mulheres a seguirem o mesmo caminho. Paralelamente, o mesmo programa deve cobrar das escolas a inclusão de debates e reflexões sobre os males causados pelo pensamento patriarcal na sociedade brasileria, por meio das aulas de História e Sociologia, visando coibir a perpetuação dessa mentalidade. Dessa forma, é possível garantir, a curto e longo prazo, o incentivo ao empreendedorismo feminino no país.