A importância do empreendedorismo feminino na sociedade brasileira
Enviada em 22/12/2020
Em sua canção “Ai que saudade da Amélia”, o sambista Ataulfo Alves engrandece o papel submisso de Amélia, tratando-a como um exemplo de “mulher de verdade”. Porém, a busca pela representatividade e igualdade entre homens e mulheres está, paulatinamente, desmistificando a relação da figura feminina com o trabalho doméstico e artesanal, consequentemente, despertando versões de mulheres empoderadas e independentes na sociedade atual. Desse modo, a investigação da discrepância que atinge as mulheres e detém o desenvolvimento pleno de suas atividades é necessária para atestar as mudanças que a estrutura patriarcal presente demanda. Em primeiro lugar, a problemática citada contraria um dos principais pilares da igualdade jurídica prescrita como direito fundamental de todos os povos: a igualdade de direitos entre homens e mulheres. Acerca disso, é oportuno analisar os dados da situação das mulheres no mercado de trabalho. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que o salário médio das mulheres corresponde a 79,5% aos dos homens nas mesmas funções e formação profissional. Assim, afirma-se que, quanto maior o grau de escolaridade, maior é a desigualdade de renda, resultando na manutenção da estagnação do contraste salarial que afeta diretamente o papel da mulher na sociedade - o de ser o que ela pretender. Logo, a normalização dos debates sobre igualdade de gênero precisa acontecer, bem como a aceitação do temido feminismo. Em segundo lugar, vale salientar os resultados e exemplos de mulheres na economia. São inúmeras diretoras de empresas multinacionais que evidenciam a competência e a criatividade feminina no espaço merecido. Nomes como: Rachel Maia diretora da Lacoste, Mary Barra ditetora da General Motors, Paula Bellizia diretora da Microsoft Brasil, sem esquecer do volvismo administrado por mulheres, são exemplos de força e superação de paradigmas. Sendo assim, as palavras de Simone de Beauvoir sintetizam a jornada das grandes personalidades citadas anteriormente: “ninguém nasce mulher, torna-se mulher” em uma sociedade que define o comportamento e o destino feminino através do homem. Portanto, a discussão sobre igualdade de gênero precisa ser, definitivamente, realizada. Para isso, a família e o Estado são os responsáveis por adequar a educação das crianças com a regularização da igualdade de gênero. Deve-se deixar claro, no lar, na escola e nas relações diárias a inexistência de uma supremacia masculina ou uma preferência. Além disso, o discurso que separa objetos por gênero (por exemplo brinquedos ou cor) deve ser abolido por incitar tais diferenciações e conformismos. Para finalizar, o feminismo deve ser estudado e reconhecido como um movimento importante de autonomia feminina. Afinal, não se trata de um machismo ao contrário, mas de igualdade.