A importância do empreendedorismo feminino na sociedade brasileira

Enviada em 16/01/2021

A série americana “Girl Boss” tem o papel social de gerar reflexões sobre assuntos importantes e pouco debatidos, como o papel da mulher na sociedade contemporânea. A obra televisiva, retrata os desafios enfrentados por Sophia, uma jovem empreendedora dona de um brechó online. Fora da ficção, as mulheres brasileiras também enfrentam dificuldades para empreender, haja vista o machismo e a falta de incentivo governamental em apoiar a acenção feminina em meios majoritariamente masculino. Logo é necessário analisar o empreendedorismo feminino na sociedade.

De início, um dos problemas destacados é a banalização do preconceito de gênero em âmbito nacional. Dessa forma, segundo o conceito “Habitus” do sociólogo Pierre Bordieu, o ser humano incorpora para si e reproduz ideias e padrões de comportamento observados frequentemente no corpo social. Desse modo, é inegável que ainda exista na sociedade o ideário arcaico de que o papel feminino se limita em cuidar da casa e da família, e que a mulher não tem as mesmas capacidades que um homem tem de empreender e buscar a própria autonomia. Nesse sentido, assim como é retratado na série “Girl Boss”, devido ao preconceito de gênero, muitas mulheres acabam desistindo de entrar no ramo do empreendedorismo. Prova disso são dados levantados pela Women in The Boardroom, em que afirma que o percentual de aberturas de empresas por mulheres foi de apenas 25% em 2019.

Além disso, é importante salientar que o governo é negligente em promover projetos voltadas para o incentivo do empreendedorismo feminino. Nesse sentido, conforme a teoria contratualista de Rousseau, é dever do Estado assegurar os interesses que objetivam o bem maior para a sociedade, uma vez que a legitimação do seu poder depende da vontade do povo. Entretanto, a expansão de políticas neoliberais não busca priorizar os aspectos sociais, como a criação de medidas que visem promover o investimento na área do empreendedorismo feminino e guiar as mulheres para a emancipação financeira. Prova disso são dados divulgados pelo Sebrae, em que afirmar que menos de 10% das empresas lideradas por mulheres recebe investimento externo.

Portanto medidas são necessárias para amenizar os problemas abordados. Diante disso, cabe ao Governo Federal, promover a autonomia financeira das mulheres, por meio de projetos que incentivem o empreendedorismo feminino, mediante o empréstimo de crédito financeiro com juros baixos para as empresas lideradas por mulheres, como a finalidade de garantir a inserção feminina nesse meio predominantemente masculino. Ademais, é dever da mídia, promover o merchandising social, por meio de obras de arte como a serie “Girl Boss”, que busque desmistificar o pensamento maschista de que as mulheres não são boas empreendedoras.