A importância do empreendedorismo feminino na sociedade brasileira

Enviada em 16/01/2021

Na série brasileira ‘’Coisa Mais Linda’’, é abordada a história de Malu, uma jovem que enfrenta dificuldades durante a tentativa de abrir seu próprio negócio, um clube de Bossa Nova. Malgrado sua inserção no âmbito artístico, o seriado não se restringe somente a esse espaço, haja vista a elucidação de uma verdade atual: a importância do empreendedorismo para a emancipação da mulher frente à sociedade. Entretanto, observa-se um cenário que vai de encontro a esse processo, sustentado, sobretudo, pela má postura governamental e pela manutenção de estereótipos.

A princípio, é fulcral pontuar que a inoperância estatal atua contra o empreendedorismo feminino. Nesse ínterim, é indubitável analisar o conceito de ‘’banalidade do mal’’, delineado pela filósofa Hannah Arendt, em que há tolerância e normalização daquilo que é considerado antiético na sociedade. Em conformidade com isso, nota-se, como exemplo dessa vertente, o descaso do poder público em aplicar e capacitar recursos humanos e financeiros para estimular novos negócios iniciados por mulheres. Por conseguinte, é notável, por parte do governo, a existência de uma burocracia demasiada, a falta de incentivos fiscais e de apoio para o empreendedorismo feminino. Portanto, é fato que tal contexto de omissão estatal propaga o desrespeito às mulheres, prejudicando a representatividade delas, também, no ambiente laboral.

Outrossim, é válido destacar como a difusão de preconceitos limita o empreendedorismo feminino. Nesse sentido, segundo o procedimento genealógico de Friedrich Nietzche, toda complicação deve ser entendida sob uma perspectiva histórica. A partir desse pressuposto, é fato que o modelo de vida patriarcal, configurado historicamente, excluiu as mulheres de diversas atividades sociais e econômicas por séculos. Diante dessa óptica, como herança de tal processo de subjugação do papel feminino, percebe-se, em inúmeras circunstâncias de trabalho, a perpetuação de estereótipos machistas e de ideologias sexistas que inferiorizam as mulheres. Dessa forma, o empreendedorismo feminino é prejudicado pela intimidação e pela intolerância, o que agrava a disparidade salarial.

Logo, para minimizar tais problemas, é imprescindível que o Governo Federal instigue o empreender feminino, por meio de aplicação de capitais e de medidas assistencialistas, com intuito de desmantelar as barreiras que minimizam a abertura de negócios. É importante, ainda, que as escolas abordem a relevância de desconstruir paradigmas acerca das mulheres, mediante aulas didáticas e pedagógicas, a fim de minar o machismo e elevar o empreender, já que esse é essencial à independência integral das mulheres. Por fim, será possível arquitetar um futuro igualitário, relegando dificuldades, como as sofridas por Malu, em ‘’Coisa Mais Linda’’, apenas ao plano ficcional.