A importância do empreendedorismo feminino na sociedade brasileira
Enviada em 13/07/2021
Na obra “Utopia “do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Tal obra fictícia, no entanto, diverge da realidade contemporânea, uma vez que os desafios enfrentados pelas mulheres empreendedoras no Brasil apresentam barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Desse modo, esse imbróglio social ocorre devido à jornada dupla imposta, como também o machismo da sociedade.
Nesse sentido, é preciso considerar a jornada dupla feminina como uma adversidade, já que muitas mulheres além de tentarem uma inclusão no mercado de trabalho, ainda precisam cuidar dos afazeres domésticos e dos filhos. Esse fator pode ser ilustrado na obra “Girafa em chamas “do pintor Salvador Dalí, que embora esteja em chamas, está parada sem qualquer expressão de dor e toda a narrativa traz ênfase para a figura feminina no centro. Fora das telas, as mulheres brasileiras que apresentam essa cansativa rotina, partilham do mesmo sentimento da girafa, que apesar de dar nome a obra não recebe atenção e precisa agir naturalmente. Dessa maneira, a situação da falta de incentivo e valorização dos empreendimentos femininos pode ser vista como uma problemática envolta em traços críticos, a qual acarreta o fechamento desses serviços.
Além disso, apresenta-se relevante também pautar sobre o machismo da sociedade, tendo em vista que, embora as donas de negócios tenham maior escolaridade, ganham, em média, 22% a menos que o homem na mesma posição. Segundo Émile Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade e generalidade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que o patriarcalismo pode ser encaixado na teoria do sociólogo, uma vez que, se uma criança vive em uma família com esse comportamento, tende a adotá-lo também por conta da vivência em grupo. Diante dessa análise, é admissível concluir que o entrave percebido na desvalorização dos empreendimentos femininos mostra-se preocupante, porquanto afeta de modo abusivo o público em questão.
Depreende-se, portanto, que é necessária uma atitude efetiva do Estado para solucionar a problemática. Para tal, o Governo Federal, órgão superior a todas as Secretarias estaduais e municipais do Brasil, deve criar palestras interativas para o público feminino, por meio do Ministério do Trabalho, com o objetivo de incentivar e auxiliar esse público-alvo à realização de projetos. Sendo assim, espera-se que essas empreendedoras sintam-se valorizadas, e que os fim desses desafios deixem de ser uma utopia para o Brasil.