A importância do ensino profissionalizante

Enviada em 13/05/2026

No Brasil, o ensino profissionalizante é entendido por proporcionar a diminuição da desigualdade social, através da valorização da mão de obra; entretanto, cerca de 40% dos jovens permanecem inseridos no mercado de forma informal. Nesse contexto, percebe-se um ciclo de sucateamento e precarização dessas instituições de ensino, uma vez que há baixa aderência à realidade da parcela populacional de baixa renda, a qual, mesmo profissionalizada, é desvalorizada pela lógica presarial. Dessa forma, cabe ao Estado o papel regulador, a fim de garantir efetividade ao ensino profissionalizante.

A princípio, é nítido que esse ensino priva o estudante de acessar uma educação crítica e profissional. Na perspectiva do educador brasileiro Paulo Freire, muitas vezes o sistema educacional ignora a realidade do aluno, tratando-o como futura mão de obra. Por conseguinte, entende-se que a segregação do estudante é intensificada pelo modelo profissionalizante, já que essa abordagem tecnicista desencadeia o desencorajamento dos estudos ou a criação de profissionais sem autonomia e pensamento crítico, o que favorece a disseminação, ainda maior, da desigualdade social. Dessa forma, o Estado deve reestruturar essa educação.

Outrossim, o ensino é esvaziado pela manutenção da lógica produtivista. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade tende a discriminar as pessoas que não participam ativamente do mecanismo de produção e consumo. Nesse contexto, os estereótipos predeterminados por essa marginalização são usados como parâmetro pelas empresas, as quais associam o ensino profissionalizante à criação de mão de obra barata e descartável, haja vista que essa lógica é vista na totalidade do sistema educacional e decorre da mercantilização do ensino e da segregação do jovem de baixa renda.

Destarte, cabe ao Estado, por meio do Ministério da Educação, reformar a educação profissionalizante para adaptar o ensino à realidade dos indivíduos, através de aulas ou debates que gerem pensamento próprio e permitam que o estudante enxergue possibilidades fora da posição em que nasceu. Dessa forma, será possível estabelecer uma educação de qualidade que garanta a profissionalização e combata a desigualdade social e os estereotipos.