A importância do ensino profissionalizante
Enviada em 02/06/2021
A teoria da Modernidade Líquida elaborada por Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, compara a contemporaneidade às características de um líquido, maleável e fugaz. Dessa forma, observa-se que o mercado de trabalho, assim como prevê a teoria, está em constante movimentação, tornando-se desafiador. À vista disso, o ensino profissionalizante destaca-se como elemento solidificador dessa fluidez, pois aproveita as habilidades específicas do indivíduo, preparando-o para o mercado. Todavia, a falta de instrução familiar e escolar impede a difusão dessa modalidade, configurando-se como um problema para o Brasil. Assim, o Estado deve encontrar subterfúgios para reverter esse quadro.
Antes de tudo, é válido destacar que o ensino técnico extrai habilidades específicas dos jovens. Nessa lógica, faz-se relevante analisar o filme “O Menino que Descobriu o Vento”. A metragem relata a história do William, residente do Malawi África, que mesmo com a pouca instrução educacional, conseguiu utilizar seu conhecimento mecânico para utilizar a energia eólica e salvar sua aldeia da fome. Sob esse viés, os cursos técnicos conseguem alinhar o ensino teórico e prático concomitantantemente. Por conseguinte, é possível trabalhar competências específicas do indivíduo em determinada área, auxiliando-os na obtenção de futuros empregos. Isto posto, essa modalidade permite que pessoas de baixa renda, como o William, trabalhe suas habilidades possibilitando a ascensão social.
Por outro lado, é imprescindível analisar não só a importância, mas também o principal entrave para difundir o ensino profissionalizante. Assim sendo, torna-se enfático que a escola e a família não contribuem eficientemente para estimular o autoconhecimento dos alunos. Portanto, esses indivíduos não conseguem identificar suas competências, tampouco conseguem reconhecer a importância do ensino técnico na aprimoração delas. Nessa perspectiva, o Darwinismo social, teoria da Seleção Natural de Darwin aplicada à sociedade, torna-se atuante sobre os jovens. Porquanto, aqueles que não se adaptarem ao mercado de trabalho fluido, serão levados à obsolescência. Desse modo, o ensino técnico impede essa realidade, ao desenvolver faculdades específicas dos alunos para o mercado.
Enfim, mediante o exposto, é mister que diligências sejam tomadas para solucionar essa inercial. Logo, cabe ao Ministério da Educação (MEC), em parceria com os sindicatos, a criação de rodas de profissões. Para tanto, o Tribunal de Contas da União- órgão que aprova feitos públicos- deverá conceder verbas para financiar o projeto. Ademais, cabe ao MEC, promover palestras sobre diversas carreiras a serem veiculadas nas redes sociais. Outrossim, o processo de autoconhecimento seria facilitado, contribuindo para o acesso aos cursos técnicos para as habilidades adequadas. Destarte, essa modalidade de ensino será difundida, solidificando a conjuntura fluida proposta por Z. Bauman.