A importância do ensino profissionalizante

Enviada em 03/06/2021

A Constituição de 1988, documento jurídico de maior importância do país, prevê em seu artigo sexto, o direito a educação e ao trabalho como inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa que, apesar da importância do ensino profissionalizante, este ainda encontra entraves para a sua consolidação, seja pela carência estatal em prover medidas que incentivem a qualificação da mão de obra, seja pela má qualidade da educação brasileira. Desse modo, faz-se necessária a ánalise dos fatores que favorecem esse quadro.

Dessarte, é válido analisar a ineficiência governamental em promover o ensino profissionalizante. Nesse sentido, a qualificação da mão de obra, por intermédio do ensino profissionalizante, mesmo que em nível menos técnico que a realizada em ensino superior, é de extrema importância para o aumento das chances dos jovens recém formados conseguirem um emprego, principalmente os mais pobres que, muita das vezes, por conta da sua baixa renda, não apresentam condições de cursar uma faculdade. Essa conjuntura, de acordo com os pensamentos de Thomas Hobbes, configura-se como uma violação do Pacto Social, já que o Estado não cumpre a sua função de garantir os direitos previstos na Constituição, o que infelizmente é evidente no Brasil contemporâneo.

Ademais, é importante apontar a má qualidade do ensino público como impulsionador da importância do ensino profissionalizante nas escolas. Nesse contexto, com o advento da terceira revolução industrial no Brasil, o desenvolvimento tecnológico possibilitou a substituição da força de trabalho humana por máquinas. Por conseguinte, o aumento na demanda por empregos somado a redução na sua oferta faz com que o mercado de trabalho se torne mais exigente quanto à qualificação da mão de obra. Entretanto, o acesso à educação de qualidade que viabiliza tal qualificação é desigual, precário e de má qualidade, resultando, assim, em um grande contingente populacional de desempregados. Logo, é de vital importância a presença do ensino técnico nas instituições de ensino médio.

Urge, portanto, que o ensino profissionalizante seja implementado nas escolas. Desse modo, cabe ao Ministério da Educação, por meio da alteração na lei 9.394, de Diretrizes e Bases da Educação, criar novas disciplinas técnicas que qualifiquem a mão de obra dos alunos e preparem de forma qualificada os estudantes dos cursos de licenciatura para a incersão no mercado de trabalho, a fim de que, dessa forma, seja possível garantir a plena construção do conhecimento e, consequentemente, que mais indíviduos sejam empregados, diminuindo, assim, as taxas de desemprego e trabalho informal. Assim, os direitos à educação e ao trabalho previstos na Constituição poderão ser reverberados com ênfase na prática.