A importância do ensino profissionalizante

Enviada em 08/06/2021

É indubitável que a revolução técnico-científica-informacional está transformando rapidamente diversas esferas da sociedade, entre elas o mundo do trabalho. Nesse cenário, o ensino profissionalizante aparece como uma das principais formas de qualificação dos trabalhadores para inserção e permanência no mercado de trabalho. Entretanto, no Brasil, a ausência de incentivo e valorização dos cursos técnicos dificulta a efetivação dessa modalidade de ensino. Faz-se necessário, então, discutir acerca da importância do ensino profissionalizante, a fim de incentivar a sua ampla implementação no país.

Inicialmente, destaca-se a importância da qualificação profissional para o indivíduo e a sociedade. Segundo o Banco Mundial, 52% dos jovens perdem o interesse pelos estudos e tendem a ficar desempregados. De fato, a educação regular está engessada em um modelo de ensino arcaico e pouco atraente para a contemporaneidade. Dessa forma, o ensino profissionalizante, principalmente quando integrado ao ensino regular, dá maior propósito à escola, além de abrir portas para melhores oportunidades de emprego em um mercado de trabalho exigente. O resultado disso é a diminuição da evasão escolar, do desemprego e, consequentemente, da vulnerabilidade socioeconômica individual e das desigualdades sociais do país.

Contudo, essa modalidade necessita de maior valorização. Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria, em 2014 apenas 6% dos jovens estavam matriculados em cursos de educação profissional. Esse cenário pode ser explicado, em primeiro lugar, por uma cultura academicista que supervaloriza as graduações em detrimento de outras formações. Assim, há pouco incentivo das famílias, da mídia e da sociedade para o ingresso em cursos de educação profissional. Em segundo lugar, as vagas para cursos gratuitos fornecidas pelo Estado ainda são limitadas, o que impossibilita que a parcela da população com menor poder aquisitivo tenha acesso a esses cursos. Desse modo, tem-se como consequência o desemprego e, ainda, a busca por empregos informais que não garantem direitos para o trabalhador.

Portanto, urgem medidas governamentais para valorizar o ensino profissionalizante no Brasil. Para isso, o Estado, em parcerias com instituições como o Senac, deve abrir vagas gratuitas em cursos profissionalizantes para os jovens, além de divulgar as oportunidades de vagas e abordar, em campanhas nas mídias sociais e televisivas, o funcionamento e a importância do ensino profissionalizante. Com isso, espera-se facilitar o acesso a esses cursos e atentar mais pessoas sobre a relevância e prestígio desse ensino, estimulando a sua procura.