A importância do ensino profissionalizante
Enviada em 13/07/2021
A Revolução 4.0 - originada no século XXI - caracteriza-se pelo protagonismo das tecnologias nas indústrias contemporâneas. Nessa linha de raciocínio, essas novas ferramentas dominaram as fábricas, uma vez que os “serviços braçais” foram substituídos pelas máquinas, o que exigiu uma nova adaptação do homem: o ensino profissionalizante. Com efeito, essa nova premissa possibilita o desenvolvimento de economias subdesenvolvidas e promove a intelectualização laboral.
Diante desse cenário, Gilberto Freyre - autor da obra “Casa-Grande e Senzala” - descreve a gênese do Brasil, que, desde 1500, sofreu forte exploração de suas riquezas e, consequentemente, naturalizou, no pensamento da população, a ausência de uma economia local forte, já que todo o lucro era destinado à metrópole. Nesse viés, a realidade denunciada por Freyre se mostra presente em diversos países semelhantes à situação brasileira, como Angola e Moçambique, e se manifesta na relação de dominação entre “superiores” e “subordinados” dentro das empresas hodiernas. No entanto, o ensino profissionalizante, por meio da especialização dos trabalhadores, estimula uma relação de cooperação na indústria, visto que todos conhecem o processo produtivo e podem trabalhar com mais eficiência. Logo, enquanto o investimento na educação laboral agir como regra, as economias subdesenvolvidas terão a chance de se reerguerem no mercado internacional.
Ademais, Charlie Chaplin - na obra cinematográfica “Tempos Modernos” - critica, através do humor, a árdua realidade trazida pela Primeira Revolução Industrial: a objetificação do homem. Nesse sentido, percebe-se que o desenvolvimento fabril do século XVIII é incompatível com a dinamicidade da Indústria 4.0, a qual valoriza o conhecimento humano ao invés da sua capacidade em reproduzir tarefas de forma automática. Tendo isso em vista, o ensino profissionalizante atua como um mecanismo para introduzir o homem na “nova indústria”, haja vista que o prepara, através de ensinamentos técnicos, para agir como “cérebro” do processo produtivo e não como “braços”. Assim, não é razoável que, embora almejem se tornar referências econômicas, as indústrias mundiais insistam em negar o conhecimento intelectual aos trabalhadores.
Para que o ensino profissionalizante, portanto, torne-se uma realidade universal, os países que foram metrópole, a exemplo de Inglaterra e de Portugal, devem realizar uma parceria econômica com suas antigas colônias, por meio da implementação de projetos pedagógicos, como oficinas e minicursos, os quais criarão um ambiente favorável ao aprendizado dentro das indústrias. Essa iniciativa teria a finalidade de assegurar um ensino profissionalizante a todos os países, de sorte que antiga dominação colonial deixe de ser, em breve, uma realidade no século XXI.