A importância do ensino profissionalizante
Enviada em 06/08/2021
Stefan Zweig escreveu, em 1945, o livro “Brasil, um país de futuro”. Entretanto, hodiernamente, a pátria está muito longe de corresponder a tal imagem, uma vez que, segundo levantamento do SENAI, quase 90% dos jovens brasileiros não possuem ensino técnico. Nesse contexto, a inércia do governo em relação à educação profissional gera desigualdades na sociedade.
Diante disso, é importante destacar a ineficácia dos órgãos públicos na promoção do ensino profissionalizante. Sob esse viés, é válido trazer o discurso de John Locke, filósofo iluminista, no qual afirma que o ser humano abre mão de sua liberdade para possuir direitos, o que ele denomina como “Contrato Social”. Contudo, o Estado é falho ao não promover medidas que introduzem a instrução técnica nas instituições de ensino brasileiras, como, o sucateamento da educação que é feito com cortes de verbas todos os anos - conforme reportagem da UOL. Por conseguinte, consoante o Ministério da Educação -MEC-, apenas 0,83% dos estudantes estão cursando o técnico e o médio simultaneamente. Logo, verifica-se a necessidade de ações por parte dos administradores públicos para reverter esse cenário.
De modo complementar, a inexistência da educação voltada para as exigências do mercado de trabalho acentua ainda mais os contrastes socioeconômicos no país. Nessa ótica, o célebre escritor Ariano Suassuna diz: “O que é muito difícil é você vencer a injustiça secular, que dilacera o Brasil em dois países distintos: o dos privilegiados e o dos despossuídos”. Desse modo, com um mercado de trabalho cada vez mais exigente, quando o Estado não oferece qualificação profissional para seus contribuintes, a tendência é de que essas pessoas continuem em subempregos, permanecendo, assim, em situações de vulnerabilidade econômica. À vista de exemplo, um estudo feito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, em que demonstra que o ser com um curso técnico pode ganhar até 70% a mais. Dessa forma, observa-se que medidas carecem ser tomadas no âmbito educacional.
Em suma, observa-se que ações são carentes na inércia do governo para solucionar o problema. Destarte, o MEC deve, por meio do aumento do teto de gastos para a educação, introduzir o ensino técnico em todas as escolas de ensino médio do país. Posto isto, para conseguir tais recursos, o órgão tem que elaborar um Proposta de Emenda à Constituição e ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. Por fim, o ato tem como finalidade diminuir as desigualdades socioeconômicas presentes no país. Feito isso, o Contrato Social de Locke será devidamente estabelecido.