A importância do ensino profissionalizante
Enviada em 10/08/2021
Em sua obra Antígona de 442 a.C, o dramaturgo grego Sófocles retrata o embate entre o direito natural e o direito positivo - o que , na contemporaneidade , remete a humanidade à reflexão de que o direito deve ser garantido com intuito de se viver dignamente, para isso o homem deve agir com responsabilidade no meio onde se insere. Entretanto, em pleno século XXI, em nações em desenvolvimento como o Brasil, infelizmente, ainda, há desafios para se compreender a importância do ensino profissionalizante. Nesse contexto, evidencia – se carência de engajamento governamental voltado para a efetivação do bem-estar coletivo.
Indubitavelmente, as autoridades brasileiras já desenvolvem – mesmo a passos lentos, - ações que viabilizam caucionar o anteparo e integridade populacional. Menciona-se, por exemplo, a existência de diversas modalidades de ensino técnico e médio regular, como: Subsequente, integrado, concomitante e ensino regular, cujo objetivo é não apenas permitir que os estudantes sejam protagonistas de seu futuro, bem como na escolha do caminho que mais atenda as necessidades. Isso demonstra que, de certa forma, há intento governamental em garantir os direitos inerentes à cidadania.
Entretanto, medida pontual como essa, por si, não é suficientemente capaz de atenuar os dilemas tocantes à problemática do ensino profissionalizante, pois observa-se, em solo brasileiro, que apenas 11,1% dos estudantes estão matriculados em cursos profissionalizantes, segundo artigo publicado no site portal da indústria. Isso decorre do despreparo dos alunos frente a construção de um plano de carreira que não exclua a obtenção de um diploma universitário, o que oportuniza a não inserção rápida no mercado de trabalho, e, consequentemente, inviabiliza a conquista da cidadania - realidade intrinsecamente relacionada com o precário sistema educacional, ora ofertado ao maior contingente populacional no Brasil, inapto a formar para o direito da plena cidadania. O fato é que não se vivenciará desenvolvimento técnico no Brasil enquanto o Estado não pautar o Sistema Educacional em responsabilidade e integridade social.
Compreende-se, pois, a necessidade de maiores investimentos na Educação Básica, já previstos pela Lei de Diretrizes e Bases Nº 9.394/96. Para tanto, é prudente que o Estado– através do Ministério da Educação - não só modifique sua grade curricular para contemplar, semanalmente, desde a Educação infantil, aulas de direito da plena cidadania, mas também desenvolva palestras sobre os danos sociais causados pelo despreparo dos alunos frente a construção de um plano de carreira, no contexto escolar, envolvendo a comunidade. Dessa forma, será constituída uma sociedade capaz de usufruir, verdadeiramente, dos preceitos preditos por Sófocles.